Sumotori supera adversidades e brilha em Mundial
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sexta-feira, 02 de novembro de 2012
Rafael Souza <br> Reportagem Local 
No Brasil, a rotina de um lutador não é feita só de luta dentro do tatame, do ringue, da arena, do dojô, ou qualquer que seja o local no qual se pratica o esporte. Muitas das vezes, ou na maioria delas, é preciso ter força para lutar também nos bastidores, fora do palco de ação. Que o diga o sumotori londrinense Rui Aparecido de Sá Júnior, de 18 anos.
Não foram poucos os obstáculos que ele teve que superar para poder participar de seu segundo Campeonato Mundial de Sumô. A ''saga'' começou em julho deste ano, quando Júnior garantiu seu quinto título brasileiro consecutivo. A classificação para o torneio internacional estava assegurada, mas faltava o principal: dinheiro. Foi aí que entraram família e amigos. Não fossem as rifas e a ajuda dos diretores e professores do cursinho pré-vestibular onde estuda, o sumotori não teria conseguido os pouco mais de R$ 7 mil necessários para viajar.
''Na verdade, eram quatro os (sumotoris londrinenses) classificados para o Mundial, mas as despesas com as passagens ficaram por conta dos pais, e eu fui a única que assumi o compromisso'', conta a mãe de Rui Júnior, Sirlene, maior incentivadora do filho.
Depois de superados os percalços, o lutador londrinense viajou e não deixou em vão todo o esforço feito para que pudesse viajar. Ele desembarcou ontem, de volta de Hong Kong, na China, com a medalha do terceiro lugar na categoria juvenil absoluto. ''Foi a realização de um sonho. Sonho com isso desde o primeiro mundial que participei, na Polônia'', afirmou o sumotori, que luta desde os 12 anos. No mundial polonês, realizado em Varsóvia há dois anos, o londrinense foi apenas o sétimo colocado entre os pesados.
No sorteio do chaveamento, Júnior deu azar e pegou logo de cara, na primeira luta, o japonês atual bicampeão mundial. Acabou derrotado e foi para repescagem. Fez mais cinco lutas, venceu todas e garantiu sua primeira medalha em mundiais. ''Na primeira luta, a gente sempre torce para não enfrentar japonês ou mongol, mas não teve jeito'', comentou. ''Mas deu tudo certo. Saí daqui com o objetivo de brigar pelo segundo, terceiro lugar, e consegui'', comemorou.
Não bastasse a luta para conseguir verba para a viagem, o sumotori londrinense ainda treinou muitas vezes sozinho e precisou engordar 15 quilos. ''Ainda assim fiquei pequeno perto deles'', brincou. ''Os atletas são muito maiores que aqui no Brasil, por isso o nível é muito alto. Eles são muito fortes'', observou o lutador, de 130 Kg. No total, a seleção brasileira de sumô, composta por 12 atletas, voltou da China com quatro medalhas, todas de bronze.


