Elas são femininas, divertidas e muito simpáticas. Algumas têm o corpo um pouco avantajado, é verdade, mas se movem e lutam com leveza e harmonia. São as mulheres e meninas que treinam sumô na Academia Kaiko, em Londrina, a única em atividade no Paraná, segundo o presidente da Associação Londrinense de Sumô (ALS), Cassiano Joaquim Gomes. Interessante é que das 29 mulheres, de 4 a 37 anos, que treinam na academia (são 70 atletas no total), nenhuma é descendente de japonês uma mostra de que a arte marcial milenar já ganhou o mundo e caiu no gosto dos não-nipônicos.
Mas como o sumô atraiu a atenção das garotas é uma pergunta que só se obtém resposta convincente conversando com elas. Uma boa oportunidade de conhecê-las será o 1º Campeonato Feminino de Sumô, que acontece no dia 26 de março, das 8 às 18 horas, na Academia Kaiko (Rua Natal, 53, Centro), em Londrina.
É um evento pioneiro no Paraná, segundo o técnico e presidente da academia, Cássio Gomes, filho de Cassiano, que é fundador da Kaiko, criada há 23 anos. O evento será em março por ser o mês da mulher e conta com o apoio da Secretaria da Mulher e Fundação de Esportes de Londrina (FEL).
Segundo eles, alguns dos destaques brasileiros são as lutadoras do Pará, todas negras, cuja média de peso é de 120 a 160 quilos. As londrinenses adultas têm entre 90 e 110 quilos.
Apesar do perfil tradicional, Cássio frisa que, por princípio, o sumô não é só para os gordos. ''O sumô é para todos e está cada vez mais ocidentalizado. Os descendentes de japoneses cada vez mais são minoria entre os praticantes da arte marcial. Estão perdendo o interesse pela tradição'', acredita ele.
Como procura manter as tradições da cultura oriental, a associação também conta com outras escolas, além do sumô: tai chi chuan, taiko (tambor), kendô, nijutsu, kyudo (arquearia) e lutas de estilo livre muay thai, kick boxing, boxe e jiu-jitsu.
''No sumô, procuramos seguir as tradições ao máximo. Continuamos a pedir a proteção (joga-se sal na arena de luta com este objetivo) e a rezar para uma boa colheita, como se fazia antigamente'', diz o 'sensei' Cassiano. Continua sendo uma luta sagrada, na qual os sumotoris (lutadores) entram no dohiô, a arena construída dentro de rituais milenares xintoístas. O dohiô é coberto por um telhado que tem o caráter religioso de proteger o sumotori, além de oferecer boa colheita e prosperidade à comunidade.
Nascido no Japão, o sumô lá ainda é luta exclusiva para homens. No resto do mundo é aberto às mulheres e o Mundial feminino este ano será na Letônia, antiga república soviética. ''Fora do Japão, os soviéticos são os melhores lutadores do mundo'', informa o sensei.
Entre as londrinenses que lutarão no domingo, algumas das mais fortes e pesadas são Sisneide Silvestre de Paula, 37 anos, atleta há cinco anos, e as irmãs iniciantes Jaqueline, 21, e Janaína da Silva, 17. Haverá também a ''peso médio'' Débora Tonon, 17, que pratica há mais de um ano. E entrarão também no dohiô algumas magrinhas, como Caroline Veiga, 17, e Marcela Lopes, 13, que começaram por curiosidade. ''No começo nossos pais estranharam e os colegas de escola ficavam perguntando, mas aos poucos foram achando normal e hoje treinamos como se fosse qualquer outro esporte'', contam as amigas.

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