O tênis feminino brasileiro passou muito tempo sem ter uma referência em quadra. Uma lacuna que por anos deixou meninas que sonhavam com o sucesso no concorrido mundo das raquetes sem um "espelho". Mas esta seca aos poucos vai se acabando. Graças a uma pernambucana que treina em Curitiba: Teliana Pereira. Principal tenista brasileira na atualidade, ela vem resgatando o espaço do país no cenário internacional e já é seguida pelas jogadoras mais novas.
"Acredito que ela tem influenciado positivamente para melhorar o tênis brasileiro e tem se tornado uma referência importante para nós. É legal você olhar para alguém que fez o mesmo caminho que você e saber que a gente também pode chegar onde ela chegou", afirma a tenista Natália Gasparin, atual número 1 dos rankings paranaense e nacional da categoria 16 anos.
Nathalia, de 15 anos, é apontada como uma das boas promessas do tênis feminino. No ano passado, ganhou três etapas da ‘Gira Sul-Americana’ – torneios organizados pela Confederação Sul-Americana de Tênis (COSAT) e já começou 2015 com o título da primeira etapa do Circuito Sul-Brasileiro (categoria 16 anos), disputado em Londrina. Prestes a ter seus primeiros desafios como profissional, a jovem celebra ter em quem se inspirar dentro de seu próprio país. "Fazia tempo que não tinha alguém como ela no profissional e é importante para vermos que temos condições de melhorar", aponta a curitibana.
Grande adversária de Natália na categoria, a araponguense Vitória Okuyama, também de 15 anos, é outra que faz de Teliana uma de suas referências no tênis. "Ela é um exemplo que a gente pode tentar seguir", ressalta a atual campeã estadual, que é tratada com o mesmo status da adversária. Vitória é a segunda colocada dos rankings nacional e paranaense e representou o Brasil nos Jogos da Língua Portuguesa, em Angola, no ano passado.
Aos 26 anos, Teliana tem trilhado o caminho que move o imaginário de milhares de meninas que escolhem o tênis. Em 2014, a atual número 1 do Brasil igualou uma marca de Maria Esther Bueno ao disputar a chave principal dos quatro Grand Slams (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open) numa mesma temporada.
Em fevereiro de 2013, em Bogotá, na Colômbia, a pernambucana foi a primeira brasileira em 23 anos a ir às semifinais de um torneio WTA - ela repetiu o feito em fevereiro de 2014, no Rio Open, no Rio de Janeiro. Também acabou com um jejum de 23 anos sem representantes do Brasil no top 100 do ranking mundial ao entrar no seleto grupo em julho de 2013, chegando a ser a número 87 do mundo três meses depois. No Aberto da Austrália, em janeiro de 2014, foi a primeira brasileira desde Andrea Vieira (US Open de 1993) a disputar a chave principal de um Grand Slam. E em fevereiro ajudou o Brasil a retornar aos playoffs do Grupo Mundial II da Fed Cup, fase a qual o país não chegava desde 1994 - a equipe acabou perdendo para a Suíça e vai continuar no Zonal I Americano em 2015.
"Ela tem conseguido coisas importantes e meu grande sonho é disputar um Grand Slam. Vou lutar muito por isso", empolga-se Nathalia.
Finalistas da primeira etapa, Nathalia e Vitória repetem a dose na segunda etapa do Circuito Sul-Brasileiro de Tênis, que terá todas as suas finais disputadas hoje, nas quadras do Londrina Country Club, a partir das 9 horas. Além de se enfrentarem na decisão de simples, elas disputarão juntas também a final de duplas.

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