Sugawara entra motivado no clássico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 21 (AE) - Tomo Sugawara, ou simplesmente Suga, realiza neste domingo um sonho de muitos jogadores japoneses: ser titular do Santos num clássico com o Corinthians, um dos principais confrontos do futebol paulista. Hoje pela manhã, ele recebeu a informação de que seria escalado com alegria.
"Fui bem no jogo passado e estou com muita vontade e confiança nesse clássico", disse ele, num português que melhora a cada dia.
Bem enturmado no grupo, mostra-se extrovertido dentro de campo
mas demonstra timidez quando se vê diante de uma câmera de TV. E dar entrevistas é uma das coisas que mais tem feito desde sua estréia domingo passado, quando substituiu Marcos Bazílio no intervalo de Santos e Mogi. Revela que ainda não é reconhecido nas ruas, a não ser por crianças e por descendentes de japoneses.
Desde janeiro em Santos, ele conhece a rivalidade existente entre Santos e Corinthians e está preparado para enfrentar o clássico. "Todo jogo é difícil, não importa o tamanho do time". Viu o jogo do primeiro turno e já jogou contra Edílson, quando ainda defendia o japonês Verdy. "Ele é rapidinho, perigoso", disse.
No confronto que teve com Edílson, seu time perdeu de 3 a 1, mas ele só entrou no segundo tempo, quando a partida já estava 3 a 0. Essa é uma das lembranças que guarda dos tempos em que defendeu o Verdy, time que o acolheu quando tinha 12 anos. Mas sua grande chance surgiu quando Émerson Leão dirigiu a equipe.
"Quando cheguei, ele era um garoto e coloquei-o no time titular, no lugar do capitão do Verdy e da Seleção (Hashiratani)", lembrou Leão.
Essa substituição causou muita polêmica por conta da tradição daquele país de respeito aos mais velhos. "Assumi essa responsabilidade e o Sugawara teve uma excelente performance e o time foi campeão de todos os torneios que disputou", disse o técnico, que lamentou: "assim que virei as costas, tiraram o Sugawara e botaram o veterano de novo no lugar, numa conduta errada". Por coisas desse tipo, ele acha que "o Verdy foi por água abaixo".
Leão revelou que o jogador foi oferecido a um custo zero. "Aceitei logo, pois é um garoto muito humilde e trabalhador e a cada dia seus companheiros estão mais satisfeitos com ele". Perto de completar 23 anos, no dia 6 de junho, Sugawara é dono de seu passe e vai permanecer na Vila Belmiro até o final do ano. Bem ambientado ao Brasil e acostumando-se com a língua portuguesa, ele revela seu humor no diálogo que encerrou sua entrevista aos jornalistas.
Um repórter perguntou: Quanto custa seu passe? Sugawara pensou um pouco e respondeu com outra pergunta: "Quer comprar?"
O jornalista insistiu: Em Real?
E a resposta veio imediatamente: "Não, em dólar."


