Jarinu - Uma curta, inesperada e empolgante trajetória levou o Santos de um time sem perspectivas para uma equipe vitoriosa, finalista do Campeonato Brasileiro. Uma história de sucesso que começou de maneira casual e está terminando com a glória, que nem mesmo os mais fanáticos poderiam imaginar.
É o meia Robert quem inicia contando, à Agência Estado, a saga santista, a partir do início do semestre. Julho de 2002, o jogador estava deixando o São Caetano, pois seu contrato de empréstimo havia terminado. Pouco antes de retornar à Vila Belmiro, soube que o clube não faria nenhuma contratação para o Campeonato Brasileiro e ficou desesperado. ''Nossa, me perguntei, será que não vão contratar ninguém, como ia ser o time num campeonato tão difícil?'', lembra Robert.
Não havia nenhuma estrela no elenco, não havia um grupo formado. Os poucos atletas experientes que participaram do Rio-São Paulo já tinham sido dispensados, como os zagueiro Cléber e Odvan, o meia Esquerdinha e o atacante Oséas.
Nas primeiras semanas de trabalho, o técnico Emerson Leão não tinha nem número suficiente de jogadores para fazer um coletivo. Robinho, por exemplo, era quase desconhecido, um ''moreno de canelas finas'', conforme definia o treinador.
Não havia, porém, nenhuma solução. Mergulhado em dívidas beiram os R$ 100 milhões , o clube não podia contratar estrelas do futebol brasileiro.
O presidente chegou a sugerir a Leão a compra de dois atletas que não fossem tão caros, mas o treinador disse não. Iria ver o que poderia fazer com o que tinha nas mãos. O nome de Romário chegou a ser especulado, mas nunca saiu do papel. Faltava dinheiro para levá-lo à Vila Belmiro.
Sem opções, Leão passou a apostar nos jovens que faziam parte da equipe ou que estavam nos juniores. ''Tivemos de usar a criatividade, de buscar alternativas. Quem não mostra criatividade num momento desses é porque tem limites, não é um bom profissional'', diz o treinador.
Leão ficou impressionado com o zagueiro Alex, que não estava entre os profissionais. Pediu sua promoção. Começou a olhar com carinho para Robinho e deu toda a força e liberdade para Diego.
Passadas algumas semanas e muitos treinos, o técnico e o até então desconfiado Robert começaram a ver que a equipe não era tão ruim como parecia e que poderia fazer uma boa campanha no Brasileiro. ''O time estava treinando bem'', comenta Robert.
Às vésperas do início da competição, a garotada ganhou ânimo após uma grande vitória contra o Corinthians, por 3 a 1, na Vila Belmiro. Passou a ter confiança e começou com força no Brasileiro. ''O que houve foi um encontro das pessoas certas, no lugar certo, na hora certa, criou-se uma química muito boa'', afirma Robert.

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