Suceder Senna foi um erro, diz Rubinho
Brasileiro vive sua melhor fase na expectativa de guiar pela Ferrari ou McLaren no ano que vem. Ficar na Stewart não está descartado
France PresseEm altaBarrichelo conduz seu Stewart-Ford no GP da França domingo passado, quando liderou e acabou em terceiroLivio OricchioNo esporte ou em qualquer outra atividade humana, recuperar a imagem desgastada de um profissional é sempre muito mais difícil que formá-la. E não é que Rubens Barrichello está conseguindo! De repente, o Rubinho pé de chinelo, famoso personagem da ficção, está dando vez ao Rubinho sapatilha de piloto, homem do momento na Fórmula 1, adversário respeitado por Michael Schumacher e Mika Hakkinen.
Seu desempenho convincente nas sete corridas da F-1 deste ano, com o avançado carro da ainda modesta Stewart-Ford, deu a largada para a transformação. Desculpe, seis anos de experiência, mais sete corridas, corrige Rubinho. O duro foi manter a motivação até surgir esta chance, diz. Pelo menos as pessoas viram que não era besteira quando eu falava que o que me faltava era carro. Não há mágoa pelas acusações de incompetência. Nenhum sentimento revanchista, mas eu sei bem quem foi maldoso.
Há uma preocupação grande com relação a eventual contratação pela Ferrari: ser um novo Eddie Irvine, cuja função na equipe é ajudar Michael Schumacher vencer. Nós nem discutimos esta questão, mas jamais aceitaria a subserviência total do Irvine, afima Rubinho. Penso que um piloto só deve deixar o companheiro ultrapassar, se ele se mostrar realmente mais rápido. Rubinho não teme o confronto com Schumacher: Tenho muita confiança no que faço, acredito que ainda não mostrei na Fórmula 1 tudo o que posso e mais uma coisa: não gosto de tomar pau.
Ele admite, contudo, que trabalhar com um piloto como o alemão o faria crescer. Se eu aprendo com o Johnny Herbert, meu atual parceiro na Stewart, por que não evoluiria ao lado do Schumacher? Segundo comenta, o alemão faz algumas coisas de forma diferente dos outros. O que mais eu admiro nele é a sua velocidade. Se o seu caminho for a McLaren, Hakkinen não deve nada a Schumacher em termos de velocidade, avalia. Penso, porém, que o Schumacher é mais consistente em condição de corrida.
Qualquer das três opções que seguir, Ferrari, McLaren ou Stewart significará a passagem para um novo nível salarial. Acho que em termos de dinheiro a Stewart seria a melhor escolha. Alguns detalhes do seu passado são resgatados. A primeira vez que ganhei alguma coisa de significativo na Fórmula 1 foi em 1997, no meu primeiro ano na Stewart, conta. Eu passei a ter um salário, o que não acontecia na Jordan, lembra.
Se Rubinho for contratado pela Ferrari e os italianos lhe pagarem o salário de Eddie Irvine, ele receberá cerca de U$ 5 milhões por ano. Estima-se que na Stewart ele ganhe metade disso. Não é o dinheiro que me motiva, não sou do tipo de pensar em aviões, iates; o que mais me estimula é possibilidade de vencer que a Ferrari e a McLaren me oferecem de imediato, se for o escolhido. O maior erro cometido na carreira? O piloto responde: Deixar de ser eu para querer ser o Ayrton Senna.





