STJD sob suspeição para julgar Atlético
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Filipe Pimentel e Agência Estado 
O futuro do Atlético Paranaense será decidido hoje, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBF, que julga o envolvimento do clube e de seu presidente, Mário Celso Petraglia, no escândalo das arbitragens. Dependendo do resultado do julgamento, o Atlético pode ser rebaixado para a segunda divisão do campeonato nacional e Petraglia pode ser suspenso por até um ano, ou mesmo ser banido do futebol.
A preocupação maior da diretoria do clube é com a pressão do Fluminense (RJ), que tenta uma virada de mesa para voltar para a primeira divisão. O tricolor carioca foi rebaixado no Brasileiro de 96, mas que aproveitar este escândalo para derrubar o rubro-negro para a segunda divisão e assumir o seu lugar.
Os advogados de defesa acham que se o julgamento for feito dentro da lei, sem dar atenção para as pressões do Fluminense, a torcida do Atlético não tem o que temer. Os advogados sustentam que as provas foram obtidas de forma ilegal (escuta telefônica), e que ainda que as conversas telefônicas (entre Petraglia e Ivens Mendes, ex-presidente da Conaf) sejam aceitas pelo STJD, a Rede Globo editou a fita e com isso acabou com uma sequência lógica da conversa.
O Conselho Deliberativo do Atlético divulgou nota ontem em que se diz ameaçado no julgamento de hoje pelo STJD. Foi publicamente prejulgado pelo o que não fez e será submetido ao STJD para arriscar a uma sentença que poderá significar o seu afastamento temporário do futebol, diz a nota. Sem fatos, sem provas, sem ao menos indícios de favorecimento nas arbitragens, os senhores que dominam o futebol querem a exclusão do Atlético.
Segundo a nota, há interessados nesse processo kafkaniano. Se o Atlético for punido com a suspensão, pode sobrar a sua vaga, conquistada em campo, para um clube que a perdeu jogando mal, o Fluminense, diz. Ainda de acordo com o Conselho Deliberativo, a única alegação para o julgamento é uma fita ilegalmente gravada, em que o ex-diretor da CBF, Ivens Mendes, conversa com o presidente afastado do Atlético, Mário Celso Petraglia, em um diálogo selecionado, visando extorquir dinheiro para a sua campanha eleitoral.
Segundo a nota, mesmíssimo fato envolveu o Corinthians e seu presidente. Da tentativa aos fatos há uma distância considerável, afirma a nota. Mas o incidente foi transformado em escândalo e os senhores do futebol querem ressalvar-se do envolvimento com a condenação da vítima, continua. A vítima (o Atlético) foi transformada em ré, para que o sistema e seus membros sejam salvos.
Os conselheiros dizem colocar suas últimas esperanças no discernimento do STJD. A condenação da vítima, o Atlético, em favor do sistema será desmoralizante esbulho de direitos, afirmam. A condenação vai decretar nossa Idade Média no futebol. E a Idade Média não faz bem a ninguém.
Enquanto isso, os jogadores ainda treinam. O rubro-negro tem mais um jogo, domingo, com o Iraty, em Curitiba. Ainda há esperança de conquistar o título, mas para isso, tem de vencer o jogo e torcer para que o União Bandeirante vença o Paraná Clube, também em Curitiba. Aí teria uma partida extra.


