Rio de Janeiro - O São Caetano poderá ser rebaixado no Campeonato Brasileiro nesta sexta-feira na Justiça Desportiva. Ontem, Murilo Kieling, procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), surpreendeu ao denunciar, com mais rigor do que o previsto, o clube paulista pela morte do zagueiro Serginho no gramado do Morumbi.
A punição chega um dia depois de o time do ABC atingir 77 pontos, e ficar fora da zona de rebaixamento mesmo considerada a possibilidade de perder 24 pontos.
No documento entregue ao STJD, Kieling diz que o São Caetano teria que perder todos os pontos dos jogos que o atleta jogou no torneio desde 11 de fevereiro. Se os auditores aceitarem a denúncia do procurador, o São Caetano, que contou com o zagueiro em 27 partidas do Brasileirão, perderá 162 pontos. A equipe perderá seis pontos por jogo.
Serginho morreu após sofrer parada cardiorrespiratória em um jogo contra o São Paulo, no dia 27 de outubro. Em fevereiro, o Incor detectou que o atleta tinha cardiomiopatia hipertrófica assimétrica (doença em que o coração incha).
A decisão de Kieling surpreendeu porque não se esperava que ele fosse divergir do inquérito feito por Luiz Geraldo Lanfred, auditor do STJD, entregue na semana passada. Lanfred disse, em seu relatório, que o clube poderia perder os pontos dos jogos realizados apenas nos últimos dois meses. Neste caso, o São Caetano seria punido pelos quatro jogos em que escalou Serginho. Perderia 24 pontos.
O presidente do clube, Nairo Ferreira, e o médico Paulo Donizete Forte também poderão ser punidos, segundo Kieling. Ferreira com dois anos de suspensão. O médico corre o risco de ficar fora do futebol por quatro anos.
O julgamento está marcado para a tarde de sexta-feira na Comissão Disciplinar, primeira instância da Justiça Desportiva. No dia 9 de dezembro, o processo será apreciado pelos auditores do STJD, última instância da Justiça Desportiva.

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