Rio de Janeiro - Evitar um dano maior ao Campeonato Brasileiro. Esta foi a justificativa do presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, para anular as 11 partidas da competição dirigidas pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, envolvido em esquema de manipulação de resultados. ''A decisão (da repetição dos jogos) é o que de menos traumático a Justiça esportiva poderia fazer neste momento'', disse Zveiter, durante entrevista ontem no salão de festas do prédio onde mora, em Niterói.
As datas dos novos confrontos já foram marcadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF): dia 12 de outubro, às 16 horas, Vasco x Figueirense, em São Januário; Cruzeiro x Botafogo, no Mineirão; Santos x Corinthians, na Vila Belmiro; e Juventude x Fluminense, em Caxias do Sul. No mesmo dia, a seleção brasileira enfrentará a Venezuela, à noite, pelas Eliminatórias da Copa.
No dia 19, sempre às 20h30, estão confirmados Vasco x Botafogo, em São Januário; Juventude x Figueirense, em Caxias do Sul, Paysandu x Cruzeiro, em Belém; e Ponte Preta x São Paulo, em Campinas. Os três jogos restantes ainda estão sem data, por causa da participação de alguns na Copa Sul-Americana. Portanto, a CBF ainda definirá, dia, local e horário de Internacional x Coritiba; São Paulo x Corinthians; e Fluminense x Brasiliense.
Zveiter e três auditores do STJD acompanharam parte das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo sobre o escândalo na arbitragem brasileira. Eles chegaram a conclusão de que não havia nenhuma garantia de que algumas partidas sob o comando de Carvalho pudessem estar fora de um esquema de corrupção. O presidente do STJD explicou que a outra comissão criada pelo tribunal, com ex-árbitros, considerou evidências de ''contaminação'' de todos os 11 jogos sem precisar verificar o teipe de cada um deles.
As partidas serão disputadas com portões abertos, sem cobrança de ingresso, determinação também de Zveiter, que estranhou que a mesma decisão estivesse anunciada no site da CBF desde a noite de sexta-feira. ''Quem decidiu foi o STJD e não a CBF. E quem está anunciando é o STJD.'' Ele esclareceu que atletas sem condições legais de atuar nas partidas anuladas continuarão ausentes quando houver a repetição dos confrontos.
Acrescentou que os reforços contratados após os jogos impugnados poderão atuar normalmente nas novas partidas e disse que o STJD vai desconsiderar os cartões aplicados nos 11 confrontos anulados. ''Claro que quem foi expulso lá trás já cumpriu suspensão, assim como o atleta que recebeu três cartões amarelos. Eles já ficaram no prejuízo. Mas, para efeito de reincidência, de julgamentos futuros no tribunal esportivo, não serão levados em conta os cartões recebidos por esses jogadores naquelas ocasiões.''
Zveiter confirmou que o STJD abriu inquérito para apurar responsabilidades do ex-presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF Armando Marques, demitido na sexta-feira, no escândalo de manipulação de resultados. ''Queremos saber se houve omissão dele nos fatos'', disse o presidente do tribunal.
O zagueiro Alemão, do Vasco, e o técnico Celso Roth, do Botafogo, também serão chamados pelo STJD para explicar entrevistas concedidas sábado à Rádio Globo. Alemão dissera que já presenciara a tentativa de um árbitro, ainda em atividade, de manipular resultados. E Roth afirmou que sabe exatamente quando um juiz de futebol está determinado a prejudicar uma equipe. ''Eles vão ter de dar o nome dessas pessoas. Se houver recusa em sustentar o que disseram, a denúncia pode se virar contra eles'', afirmou Zveiter.
Big Brother - O presidente interino da Comissão Nacional de Arbitragem, Edson Resende de Oliveira, disse ontem que a CBF criará um grupo de ''observadores'' para atuar em todos os Estados do Brasil, a fim de vasculhar a vida dos árbitros dos quadros regionais e nacional. O objetivo do esquema é a elaboração de relatórios que serão enviados à Comissão Nacional para análises sistemáticas dos árbitros. ''Vamos checar os locais que frequentam, se têm envolvimento com bebida alcoólica, com vícios, com apostas, se estão endividados. A conduta dentro e fora de campo será avaliada. Os árbitros precisam estar acima de quaisquer suspeitas'', disse Oliveira.
Ele contou que a comissão enviará hoje, para todas as federações, um ofício com palavras de incentivo e apoio aos árbitros de todo o Brasil. ''É uma mensagem para que eles não se abatam, não se deixem levar por essa onda negativa e aumentem a sua confiança. Um apoio moral.''
Oliveira se disse contra a iniciativa de alguns árbitros de abrir mão do sigilo bancário e telefônico e entregá-lo ao STJD. ''Não somos os vilões dessa história. Se for por aí, defendo que todos (dirigentes, atletas, treinadores) façam o mesmo.''

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