São Paulo - Três dias após a confusão entre as torcidas do Flamengo e do Palmeiras, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Caio César Rocha, atendeu o pedido da Procuradoria e interditou o Estádio Mané Garrincha.
De acordo com o presidente do STJD, o "local não reúne condições para receber partidas com a devida segurança". A interdição deverá ser mantida até que sejam apresentadas soluções que garantam a plena segurança do estádio.
A decisão se restringe para realização de jogos de futebol e não se aplica a outros eventos.
O Mané Garrincha, estádio mais caro da Copa, ao custo mais de R$ 1,4 bilhão, tem custo mensal de R$ 600 mil, bancados pelo governo do Distrito Federal, e prejuízo anual de R$ 3,6 milhões. As principais rendas vêm especialmente de jogos de clubes do Rio e São Paulo, quando esses times aceitam transferir as partidas para lá. O local foi palco da Copa das Confederações, da Copa do Mundo e também sediará jogos da Olimpíada do Rio.

ORGANIZADAS
A torcida organizada palmeirense Mancha Verde identificou nove de seus associados entre os 21 detidos pela briga com torcedores do Flamengo no último domingo. Diante disso, a organizada suspendeu preventivamente os nove torcedores de seu quadro de associados e vai entregar protocolo com seus nomes para a Federação Paulista de Futebol (FPF) e para o Palmeiras. "Vamos colaborar. Já suspendemos preventivamente os associados que identificamos entre os detidos. Os demais não fazem parte da Mancha. Temos que dar o direito de defesa, mas caso seja provado que eles têm culpa na briga, vamos expulsá-los", disse à reportagem Nando Nigro, presidente da organizada.
Segundo ele, no entanto, os protocolos de segurança que foram combinados com a Polícia Militar local não foram cumpridos no dia de segurança. "Enviamos um representante de Brasília da Mancha à reunião [com a PM e membros de organizada do Flamengo], e falaram que haveria cordão de isolamento separando a torcida em todo o estádio, exceto para um setor que teria torcida mista; que as torcidas chegariam por entradas diferentes; e nada disso aconteceu", argumentou.
Nigro destaca que o confronto foi localizado e não começou a partir de qualquer orientação da organizada. "A Mancha é muito grande. Saímos com quatro ônibus da capital e chegamos em Brasília com outros 18 que se juntaram no caminho. Com 50 pessoas em cada um, estávamos em quase mil. Seria uma tragédia se quiséssemos invadir outro setor. Conversei com alguns dos nove associados e o que eles disseram é que alguns palmeirenses tinham sido atacados por flamenguistas na área de alimentação, e então a confusão começou ali", afirma. Luiz Ferretti, advogado da Mancha, confirma o pedido de suspensão dos associados, e diz que o protocolo pedirá suspensão dos envolvidos na briga de qualquer evento esportivo. O STJD também denunciou Palmeiras e Flamengo pela confusão e os clubes podem perder até dez jogos de mando.

mockup