STJD interdita Arena MRV e Galo deve jogar sem torcida
Clube mineiro foi punido devido aos incidentes ocorridos domingo (10) na final contra o Flamengo pela Copa do Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de novembro de 2024
Clube mineiro foi punido devido aos incidentes ocorridos domingo (10) na final contra o Flamengo pela Copa do Brasil
ALEXANDRE ARAUJO E IGOR SIQUEIRA - UOL/FOLHAPRESS 

Rio de Janeiro - O presidente do STJD ( Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol), Luís Otávio Verissimo, deferiu nesta terça (12), o pedido da Procuradoria e interditou a Arena MRV. Além da imediata interdição do estádio, Luís Otávio determinou ainda que o Atlético-MG mande seus jogos em outra praça desportiva com portões fechados. A medida estará em vigor até que o clube comprove a adoção de medidas necessárias e suficientes para garantir a segurança na Arena MRV.
A Procuradoria da Justiça Desportiva denunciou o Atlético e solicitou em Medida Inominada a interdição da Arena MRV e a realização dos jogos do Galo em outro estádio com os portões fechados até o julgamento da denúncia ou até a comprovação de medidas necessárias e suficientes para manutenção da segurança no estádio . A denúncia foi liberada na noite desta segunda, 11 de novembro, um dia após os episódios de desordem e violência na final da Copa do Brasil. A Medida foi encaminhada para análise e despacho do presidente do STJD do Futebol, Luís Otávio Veríssimo.
O Atlético recebeu o Flamengo, no domingo (10), no segundo e final jogo que deu ao clube carioca o título da Copa do Brasil. O Rubro-negro, que havia vencido no Maracanã por 3 a 1, ganhou novamente na Arena MRB por 1 a 0, gol de Plata. A conduta por parte da torcida mandante foi registrada na súmula e nas imagens de transmissão.
Destacando gravíssimos e lastimáveis atos de violência e a incapacidade do Atlético em manter a ordem e a segurança na praça desportiva, a Procuradoria ofereceu denúncia contra a equipe mandante pelo arremesso de quatro bombas que explodiram próximo aos jogadores (aos nove minutos, aos 49 minutos, aos 50 minutos e a última aos 52 minutos, todas lançadas da arquibancada onde estava localizada a torcida mandante), pelo arremesso de objetos no campo, invasão após o gol e tentativa de invasão ao final da partida.
Uma das bombas foi lançada após o gol do Flamengo e caiu no campo muito próximo do jogador Gonzalo Plata. Outra arremessada na direção do goleiro Rossi. Em consequência gravosa, uma outra bomba atingiu o repórter fotográfico Nuremberg Maria José, que teve dedos quebrados, tendões rompidos e a necessidade de cirurgia.
Imagens e súmula ainda mostram o arremesso de vários objetos no campo em diversos momentos, que resultou na paralisação da partida por sete minutos. Outro episódio narrado foi o apontamento de laser nos olhos do goleiro Rossi em dois momentos distintos da partida.
A súmula narra ainda a invasão de um torcedor após a marcação do gol do Flamengo e a tentativa de invasão de vários torcedores ao fim do jogo, momentos antes da premiação.
Destacando a grave violação do Atlético com base nos artigos 211 e 213 incisos I,II e III, do CBJD, a Procuradoria pede a condenação do clube mandante por não tomar as providências cabíveis para evitar e reprimir condutas violentas, além de buscar através da Medida Inominada no artigo 119 do CBJD resguardar e restabelecer a segurança nos jogos que envolvem a equipe do Atlético/MG.
Artigo 211 - Deixar de manter o local que tenha indicado para realização do evento com infraestrutura necessária a assegurar plena garantia e segurança para sua realização.
PENA: multa, de R$ 100 a R$ 100 mil, e interdição do local, quando for o caso, até a satisfação das exigências que constem da decisão.
Artigo 213 - Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir:
I — desordens em sua praça de desporto;
II — invasão do campo ou local da disputa do evento desportivo;
III — lançamento de objetos no campo ou local da disputa do evento desportivo.
PENA: multa, de R$ 100 a R$ 100 mil
Atlético-MG identifica um dos responsáveis por bombas
O Atlético-MG identificou alguns torcedores que se envolveram na confusão na final da Copa do Brasil, no último domingo (10), e vai impedir que tenham acesso à Arena MRV. Dentre eles, está um dos responsáveis pelos arremessos de bombas no gramado.
A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar o crime. Uma das bombas arremessadas atingiu um fotógrafo que fazia a cobertura da partida. Nuremberg José Maria teve três dedos quebrados, rompimento de tendões e corte no pé, e precisou passar por cirurgia.
O Atlético-MG analisa 350 câmeras da Arena MRV. Os casos dos torcedores identificados estão sendo levados ao departamento jurídico do clube e à Justiça.
Uma força-tarefa junto ao MPMG foi feita. Foram identificados também um torcedor que fez gesto de cunho racista em um dos camarotes do estádio, outro que cometeu ofensas contra repórter e alguns que invadiram o campo.
Segundo a Polícia Civil, houve diversas ocorrências no dia do jogo. Em nota, a instituição apontou que "cerca de 10 ocorrências pelos crimes de vias de fato/agressão, desacato, ameaça e provocação de tumulto", uma de injúria racial e outra de furto.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou de forma provisória a interdição da Arena MRV. O Atlético-MG terá de jogar em outro estádio com portões fechados até um julgamento definitivo do caso.
(Com informações da assessoria do STJD)


