STJD barra 'canetada' de Moura
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A virada de mesa proposta pelo presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Nilo Rolim de Moura, durou pouco tempo. Ontem, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Rubens Approbato Machado, concedeu uma liminar favorável ao Engenheiro Beltrão, que inclui o clube do Sudoeste na Primeira Divisão do Campeonato Paranaense e manda o Toledo de volta para a Segundona.
A medida cautelar ainda inominada pode ser revogada no julgamento definitivo do Pleno do STJD, que será marcado. Até lá, porém, fica mantida a decisão divulgada ontem. Devido às festas de fim de ano, a decisão não deve ser tomada antes do início do campeonato, marcado para o dia 14 de janeiro.
Com a desistência de União Bandeirante e Galo Maringá da disputa do torneio, a FPF tomou uma decisão política ao apontar os herdeiros das vagas. O Iguaçu, terceiro colocado da Divisão de Acesso e que retirou um processo contra a entidade, ganhou uma delas. A outra foi dada ao Toledo, rebaixado na edição deste ano da competição. Com a alegação de que não poderia promover mais um time da Segundona, Moura barrou o acesso do Engenheiro Beltrão.
A decisão infringiu tanto a Lei Pelé como o Estatuto do Torcedor. No primeiro caso, o artigo 89 estabelece que ''em campeonatos ou torneios regulares com mais de uma divisão, as entidades de administração do desporto determinarão em seus regulamentos o princípio do acesso e do descenso, observado sempre o critério técnico''. No Estatuto, o artigo 10 determina a definição dos clubes de uma competição seja através de critério técnico.
O presidente do Engenheiro Beltrão, Luís Heitor Linhares, foi comedido na comemoração d decisão do STJD. Ele quer evitar possíveis retaliações ao seu clube. ''A decisão veio para corrigir o equívoco que a FPF cometeu. Colocou os pilares em seus lugares. É uma vitória do futebol paranaense e do Estatuto do Torcedor'', avaliou.
A diretoria do Toledo foi pega de surpresa com a decisão. De acordo com o supervisor do clube, Valmir Machado da Silva, o Toledo ainda não havia sido notificado e as primeiras medidas tomadas foram acionar o departamento jurídico e cobrar explicações do presidente da FPF. ''O Moura havia dado carta branca para contratarmos para o campeonato'', contou, adiantando que o clube pode até procurar a Justiça Comum.
O diretor de futebol profissional da FPF, Almir Zanchi, não quis comentar a decisão porque a entidade também não foi notificada. A Federação está em recesso e só reabre no próximo dia 8. ''Não tem como comentar. É uma coisa que existe, mas ainda não vemos (a notificação)'', limitou-se a dizer.


