Montreal, 11 (AE) - O escocês Jackie Stewart, campeão do mundo em 1969, 1971 e 1973 tem agora uma certeza: o time que dirige na Fórmula 1 será campeão. Depois da venda da sua organização para a Ford, anunciada quinta-feira, o ex-piloto acredita que todas as equipe de F-1 terão de enveredar pelo mesmo caminho para poder vencer. "A Stewart Ford Grand Prix transformou-se numa nova Ferrari, pois produz o carro, o motor, além de contar com uma excelente estrutura financeira."
Com a proibição da publicidade de cigarros, a partir de 2006, explica Stewart, não será fácil para as escuderias encontrarem empresas com a sua disponibilidade de investimentos. "Uma saída será a associação com os grandes grupos industriais."
Para o diretor da Ford Motorsport, Dan Davis, os planos da empresa são de vencer algum GP já na próxima temporada para, no ano 2001, disputar o título. A tendência, para Rubens Barrichello, é de a Stewart crescer daqui para a frente. "O Jackie me disse que nós atingimos um ponto que para ir mais para a frente só seria possível se conseguíssemos um grande patrocinador ou mesmo a Stewart fosse vendida a um grupo forte."
Hoje, ao completar 60 anos, um dia depois do anúncio da venda da Stewart para a Ford, Jackie confessou que sentia-se como um dia depois de confirmar seu abandono das pistas, no fim de 1973. "Como naquela época, tenho a nítida sensação de que tomei a decisão certa." O tema de controlar toda a produção é retomado por Jackie: "A Ford primeiro adquiriu a Cosworth (empresa que projeta e constrói os motores Ford) e agora um time inteiro, tudo faz parte de um grande planejamento."
O privilégio de trocar seus empregados é do dono da empresa, lembra o escocês. "Se Ken Tyrrell me dispensasse por não ser veloz no fim dos anos 60, eu teria de aceitar", diz. "Se daqui a dois anos eu não justificar o investimento que a Ford fará entenderei uma eventual substituição na direção do time." Seus sonhos de ser campeão com uma equipe própria não mudam com a venda da Stewart. "Eu não era dono da Tyrrell e muito menos da Ford quando fui campeão."
Bastante cuidadoso para não parecer intruso, Frank Williams concordou com a opinião de Jackie, de que no futuro as escuderias pertencerão aos grandes fabricantes de automóveis. "Não sei se será daqui a três, cinco ou sete anos, mas creio que esse é o caminho." As razões apontadas por ele são claras: "Nosso problema hoje não é técnico ou financeiro, mas gerencial
temos quase 300 empregados."
A grande maioria dos atuais construtores iniciou sua trajetória na Fórmula 1 quando com 30 pessoas já se podia competir no Mundial. Frank disse que nos próximos dias sua equipe iniciará uma profunda reformulação administrativa, mas que no futuro a propriedade deverá mesmo ser a uma grande empresa. Os comentários na Fórmula 1 são que depois da Stewart a Williams será a próxima organização a ser comercializada, com a BMW.
A Stewart deu a largada e a Williams está na primeira fila também para ser comercializada. Logo atrás, as escuderias se sucedem nesse grid. A Honda tende a adquirir também a British American Racing, com quem se associou recentemente, a Toyota chegará à Fórmula 1 com uma equipe própria, além da Fiat, que há 30 anos possui a Ferrari. O Mundial no futuro deverá ser mais uma competição entre os fabricantes de automóveis do que entre os construtores de Fórmula 1.

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