Stewart faz a festa em Nurburgring
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sábado, 25 de setembro de 1999
Por Livio Oricchio 
Nurburg, Alemanha, 26 (AE) - Que loucura! Aconteceu de tudo no GP da Europa, hoje em Nurburgring. Desde a vitória de Johnny Herbert e a terceira colocação de Rubens Barrichello, ambos da surpreendente Stewart, até novos erros grosseiros da McLaren, da Ferrari, e de seus pilotos. Na corrida mais emocionante dos últimos anos, Hakkinen, apesar de realizar um dos seus trabalhos mais fracos na Fórmula 1, acabou em quinto. Agora, se vencer na Malásia, dia 17, e Eddie Irvine não for pelo menos quarto, será bicampeão.
A exemplo do que ocorreu no sábado, na sessão que definiu o grid, a cada momento havia, hoje, importantes mudanças na corrida. Do grave acidente de Pedro Paulo Diniz, da Sauber, ainda na primeira curva, à bandeirada para Herbert, 66 voltas mais tarde, vários pilotos passaram pela liderança, muitos erraram, mecânicos se confundiram e o público, molhado nas arquibancadas ou mesmo em casa, vibrou com tudo. As constantes alterações na condição da pista, ora seca ora com água, por vezes apenas úmida, criaram o ambiente perfeito para um grande espetáculo.
"Estou mais triste do que contente", disse Rubinho. "Estou feliz pelo resultado da nossa equipe e pelo Johnny, que teve um ano terrível", comentou. "Mas confesso que gostaria de estar dando eu esse presente para Jackie Stewart, a sua primeira vitória como chefe de um time." Por outro lado, é o seu terceiro pódio na temporada, o que colabora para não deixá-lo descontente, segundo falou. "O Johnny tinha no bolso duas pedras dadas por um dos seus mecânicos, trazidas da Jamaica, que eram para dar sorte", explicou Rubinho. Na frente de todos, quando o pilotos inglês as mostrou aos jornalistas, Rubinho roubou-lhe uma: "Essa é minha", afirmou. Todos riram.
"Depois de tanto azar era já mesmo hora de um pouco de sorte", declarou o inglês, que conseguiu sua terceira vitória na F-1. As outras duas foram em Silvertone e Monza, em 1995, pela Benetton. "Foi uma pena a chuva ter se estendido um pouco mais depois do meu pit stop (37.a volta)," lembrou Rubinho. "Eu optei por pneus para pista seca e como eles eram do composto duro, meu carro ficou muito dificil de guiar." Seu ritmo era cinco segundos por volta mais lento que seus adversários. "Eu estava na frente do Johhny Herbert e do Jarno Trulli (da Prost, segundo colocado) e acabei atrás deles", explicou.
Foi só nas voltas finais, quando o asfalto estava quase seco que pôde andar mais rápido. Durante dez voltas ele tentou de todas as formas ganhar o segundo lugar de Trulli, mas não conseguiu. "Minha Stewart era mais veloz do que a sua Prost, fiz de tudo." Rubinho cruzou com uma diferença de 247 milésimos para o italiano.
Agora a Stewart-Ford soma 31 pontos no campeonato de construtores e pode terminar em quatro, no terceiro ano da Stewart, já que a Williams tem 33 pontos, todos obtidos por Ralf Schumacher, grande nome do GP da Europa, e quarto colocado hoje. "Nós precisamos de dois anos e meio para chegar na F-1 e vencermos nosso primeiro GP; conheço equipes que estão há muito mais tempo e não conseguiram", falou o orgulhoso Jackie Stewart.
O escocês, três vezes campeão do mundo, chama a atenção de todos: "Por favor, ouçam, o nosso piloto na F-3 (o brasileiro Luciano Burti) acaba de ganhar a corrida de Spa". Ele recebe novos aplausos da multidão que invadiu o motorhome da Stewart. "Quando corria e ganhava na F-1 (venceu 27 GPs), nunca me emocionei, agora, no entanto, como dirigente, é diferente, é mais difícil." Hakkinen cansou de errar ontem em Nurburgring. Para começar, trocou os pneus secos pelos de chuva e em seguida parou de chover. "Não queria correr riscos", defendeu-se. Depois seu ritmo esteve sempre abaixo de outros pilotos que dispunham de equipamentos bem menos rápidos que a sua McLaren.
O diretor e sócio da sua equipe, Ron Dennis,definiu bem a situação: "Nunca pensei que iria vibrar tanto com uma quinta colocação." E deste vez Dennis não poupou nem mesmo seu protegido, David Coulthard, que cometeu seu enésimo erro, quando liderava a prova, na 37.a volta. "David precisa entender que antes de ganhar uma corrida é preciso terminá-la."
A Ferrari não ficou atrás. Até um pneu errado havia no primeiro pit stop de Eddie Irvine (21.a volta) . Os mecânicos trocaram um pneu para piso molhado por um para asfalto seco. No fim, Irvine acabou em sétimo. "Nossa estratégia foi errada, uma vez mais perdemos uma grande oportunidade de dar um passo importante para conquistar o título."
Com os dois pontos de hoje, Hakkinen soma agora 62, diante dos mesmos 60 de Irvine, 50 de Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, que hoje abandonou quando era líder, e 48 de David Coulthard. Se o finlandês vencer em Kuala Lumpur, próxima etapa do Mundial, chegará a 72. Nesse caso, Irvine necessitará pelo menos de três pontos, da quarta colocação, para ficar com 63 e tentar, no Japão, última prova do ano, reverter uma situação extremamente difícil. Na hipótese de Hakkinen vencer e Irvine não se classificar no mínimo em quarto, o piloto da McLaren comemorará o bicampeonato.


