Um spray de espuma usado para marcar o campo de futebol, e que promete acabar com a malandragem dos jogadores na hora da cobrança de faltas, vem causando polêmica entre os árbitros. No Paraná, os presidentes das duas entidades representantes da categoria – da Associação dos Árbitros, Nelson Orlando Lehnkuhl, e da Comissão de Arbitragem, José Carlos Marcondes, ligada à Federação Paranaense de Futebol – são contra o uso do spray.
Para eles, o produto vem apenas substituir o papel disciplinador que deve ser desempenhado pelos árbitros. Mas o publicitário mineiro Heine Allemagne, inventor da espuma, defende seu uso e já está contatando a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para solicitar a sua aprovação e implantação oficial.
Heine Allemagne conta que sempre pensou em uma solução para o problema das barreiras na cobrança de faltas. Ele chegou a pensar no uso do laser, mas acabou se inspirando na espuma de barbear para criar um produto específico. Trata-se de uma espuma à base de água, não tóxica, biodegradável, que não agride a grama e não causa irritação dérmica ou ocular.
Uma embalagem de 100 mililitros é suficiente para cerca de 25 aplicações em linhas de um metro de comprimento. O tubo do spray é carregado pelo juiz, preso à cintura por uma capinha, semelhante à dos celulares. A espuma permanece visível por cerca de um minuto e pode ser usada em campo de grama, areia, lama, e mesmo com chuva e neve.
‘‘Esse spray só serve para acomodar os árbitros covardes’’, diz Marcondes. Para ele, as regras do futebol são claras ao determinar que a barreira deve respeitar uma distância determinada na cobrança de faltas, cabendo aos árbitros usarem de autoridade para fazerem cumpri-la.
Da mesma opinião, Lehnkuhl defende ainda que ‘‘os jogadores têm que ter consciência e respeitar as regras, assim como o árbitro tem que ter firmeza para aplicar as penalidades’’.
No Paraná, o produto ainda não foi testado, embora sua industrialização esteja sendo feita em Palmeira (70 quilômetros de Curitiba), pela empresa Chemiker do Brasil. A indústria foi escolhida em função de sua liderança na produção da espuma em spray utilizada em grande escala no carnaval. O spray já foi testado na Taça Belo Horizonte de Futebol Júnior, realizada em julho. Em 105 jogos, foi usado mais de mil vezes e, segundo Allemagne, em 100% dos casos a barreira não saiu do lugar.
De acordo com o publicitário, o presidente da Federação Mineira de Futebol, Osmar Camillo, que coordenou os testes oficias do produto, é um de seus incentivadores. ‘‘Para Camilo, a espuma é útil para marcar o local da bola, o local da barreira e, ainda, para dinamizar o jogo’’, diz.
Outros que teriam elogiado o produto, segundo ele, foram os técnicos Carlos Alberto Parreira – após demonstração em seu primeiro treino com o Atlético-MG contra o Vila Nova – e Luiz Felipe Scolari, além dos atacantes Ronaldinho (Seleção Brasileira) e Rodrigo (América-MG).

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