Spray que disciplina barreiras gera polêmica
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terça-feira, 15 de agosto de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
Um spray de espuma usado para marcar o campo de futebol, e que promete acabar com a malandragem dos jogadores na hora da cobrança de faltas, vem causando polêmica entre os árbitros. No Paraná, os presidentes das duas entidades representantes da categoria da Associação dos Árbitros, Nelson Orlando Lehnkuhl, e da Comissão de Arbitragem, José Carlos Marcondes, ligada à Federação Paranaense de Futebol são contra o uso do spray.
Para eles, o produto vem apenas substituir o papel disciplinador que deve ser desempenhado pelos árbitros. Mas o publicitário mineiro Heine Allemagne, inventor da espuma, defende seu uso e já está contatando a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para solicitar a sua aprovação e implantação oficial.
Heine Allemagne conta que sempre pensou em uma solução para o problema das barreiras na cobrança de faltas. Ele chegou a pensar no uso do laser, mas acabou se inspirando na espuma de barbear para criar um produto específico. Trata-se de uma espuma à base de água, não tóxica, biodegradável, que não agride a grama e não causa irritação dérmica ou ocular.
Uma embalagem de 100 mililitros é suficiente para cerca de 25 aplicações em linhas de um metro de comprimento. O tubo do spray é carregado pelo juiz, preso à cintura por uma capinha, semelhante à dos celulares. A espuma permanece visível por cerca de um minuto e pode ser usada em campo de grama, areia, lama, e mesmo com chuva e neve.
Esse spray só serve para acomodar os árbitros covardes, diz Marcondes. Para ele, as regras do futebol são claras ao determinar que a barreira deve respeitar uma distância determinada na cobrança de faltas, cabendo aos árbitros usarem de autoridade para fazerem cumpri-la.
Da mesma opinião, Lehnkuhl defende ainda que os jogadores têm que ter consciência e respeitar as regras, assim como o árbitro tem que ter firmeza para aplicar as penalidades.
No Paraná, o produto ainda não foi testado, embora sua industrialização esteja sendo feita em Palmeira (70 quilômetros de Curitiba), pela empresa Chemiker do Brasil. A indústria foi escolhida em função de sua liderança na produção da espuma em spray utilizada em grande escala no carnaval. O spray já foi testado na Taça Belo Horizonte de Futebol Júnior, realizada em julho. Em 105 jogos, foi usado mais de mil vezes e, segundo Allemagne, em 100% dos casos a barreira não saiu do lugar.
De acordo com o publicitário, o presidente da Federação Mineira de Futebol, Osmar Camillo, que coordenou os testes oficias do produto, é um de seus incentivadores. Para Camilo, a espuma é útil para marcar o local da bola, o local da barreira e, ainda, para dinamizar o jogo, diz.
Outros que teriam elogiado o produto, segundo ele, foram os técnicos Carlos Alberto Parreira após demonstração em seu primeiro treino com o Atlético-MG contra o Vila Nova e Luiz Felipe Scolari, além dos atacantes Ronaldinho (Seleção Brasileira) e Rodrigo (América-MG).


