Sozinho, Paraná ficaria em 9º lugar no Pan-Americano
Janaina Tupan Frare
De Winnipeg, Canadá
Especial para a Folha
Se o Paraná fosse país, teria ficado em 9º lugar na colocação geral dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, encerrados anteontem no Canadá. Dos 39 atletas que são paranaenses ou representam alguma equipe no Estado, 23 voltaram para casa com medalha. Foram 17: cinco de ouro, seis de prata e seis de bronze - atrás da Colômbia (5-18-18), mas à frente da Jamaica (3-4-5).
A primeira medalha de ouro paranaense chegou com o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, de Cruzeiro do Oeste. Ele correu os 42 km da prova em 2h17m20. Depois foi a vez do sul-mato-grossense Elenílson Silva, que treina em Maringá. Elenilson foi ouro na prova dos 10 mil metros e prata nos 5 mil metros. Edson Ribeiro, de Bandeirantes, com seu estilo inconfundível - correu todas as provas de óculos escuros -, foi ouro na prova 4 x 100 metros, em companhia de Rafael Oliveira, Claudinei Quirino e André Domingos. E conseguiu um patrocínio da Olimpykus até dezembro do ano 2000. O londrinense Cleverson Oliveira da Silva ficou com bronze na prova dos 4 x 400 rasos.
O voleibol paranaense também foi ouro no Pan. Na equipe feminina, além do técnico Bernardinho e grande parte da comissão técnica serem do Rexona/Paraná, das 12 atletas de ouro, quatro trouxeram a medalha para o Estado: a londrinense Elisângela e as suas companheiras de equipe Érika, Walewska e Karin Negrão, que venceram o jogo contra Cuba, a grande favorita do Pan, por 3 a 2. Elisângela foi a grande estrela em quadra.
Mas a grande surpresa do Pan foi a medalha de ouro conquistada pelas meninas da Ginástica Rítmica Desportiva (GRD). As irmãs londrinenses Alessandra e Camila Ferezin, Dayane Camilo da Silva, Flávia Faria, Michele Salzano e Juliana Coradini balançaram a torcida canadense, que acabou se rendendo ao charme e ritmo brasileiros. Segundo o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, a ginasta Dayane foi a porta-bandeira da festa de encerramento em reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela ginástica em Londrina. A seleção foi concentrada em Londrina. A Unopar (Universidade Norte do Paraná) patrocina toda a equipe de GRD, além de bancar todos os custos com moradia, alimentação e treinamento das meninas, diz ele. O resultado do trabalho específico está aí.
A prata também brilhou para os paranaenses. Os canoístas Sebastian Cuattrin e Carlos Augusto Campos (Guto), que treinam no Iate Clube de Londrina, conquistaram a primeira medalha brasileira no Pan de Winnipeg, na prova K-1 1000 metros. Logo em seguida, conquistaram mais uma, na K-2 1000m. O bronze da canoagem veio com a equipe formada por Cuattrin, Guto, André Caye e Roger Caumo, na prova K-4 500 metros. Guto ainda conquistou mais um bronze, na K1- 500 metros.
O voleibol masculino não conseguiu passar pela rival Cuba e ficou com a medalha de prata. No último jogo entre brasileiros e cubanos - 3 a 2 para Cuba -, o londrinense Gilberto Godoy, o Giba, foi eleito o melhor jogador, com 60% de aproveitamento em quadra.
O handebol masculino teve, além do sonho da medalha de ouro no Pan, o sonho da classificação para as Olimpíadas de Sidney, barrado por Cuba. Depois de um jogo com mais de duas horas de duração, duas prorrogações e decisão por tiros de sete metros (pênaltis), Cuba venceu o jogo por 36 a 35. Leonardo Bortolini, de Campo Mourão, foi o capitão do time que ficou com a medalha de prata.
O ciclismo, a ginástica olímpica e o squash paranaense também levaram o bronze para casa. Na prova contra-relógio individual, o atleta Márcio May, da Caloi, ficou em terceiro lugar. Camila Comim foi bronze por equipe na ginástica olímpica. No squash, a curitibana Carmem Amazonas, também ficou com bronze por equipe.
O presidente do COB atribui o desempenho dos atletas paranaenses ao trabalho que começou na gestão do ex-secretário de Esporte, Osvaldo Magalhães dos Santos, que morreu em setembro do ano passado em um acidente de carro.





