Sozinho, mecânico vai à capital torcer pelo LEC
''Quando nasceu nosso filho, ele foi na maternidade mas ficou pouco tempo. Preferiu ir ao VGD e ver o jogo do Londrina''. A recordação é da mulher, a dona-de-casa Maria Aparecida Marino Maciel, relembrando o nascimento do filho único de Ivair Pontes Maciel, 32 anos, talvez o mais fanático torcedor do Londrina Esporte Clube.
Maria Aparecida e Ronaldo Marino, 6 anos, o filho que já dá sinais que irá seguir o sacerdócio do pai, dividem espaços iguais no coração de Maciel, o mecânico de motos que parte hoje, às 8h30, sozinho em seu Gol, para assistir o duelo na capital.
O mecânico viverá momentos de angústia quando a bola rolar. ''Fico tão tenso em dia de jogo que não consigo fazer nada''. Contra o Atlético (pelas quartas-de-final), um exemplo agudo. ''Fiquei tão nervoso que não fiz o serviço de dia. Depois do jogo, estava feliz e vim para a oficina. Trabalhei até às 3 horas da manhã''.
Se não fosse uma contusão grave no joelho esquerdo, provavelmente Ivair seria goleiro profissional. É fã de Neneca, mas acredita em Marcelo: ''Ele vai pegar tudo. Vamos vencer por 2 a 1'', disse, com a voz do coração.
A maior alegria: o primeiro título como torcedor fiel, a Taça de Prata de 1980, sobre o CSA. ''Tinha 10 anos e chorava muito. Invadi o gramado e fui preso''. A maior tristeza: a derrota para o Gama, no quadrangular final da Série B. ''A volta de Brasília parecia um velório''.
Maior sonho: ''Ver o Tubarão na Série A''.
Anota a ficha técnica de todos os jogos do LEC e pensa em escrever um livro com as experiências como torcedor. Pensa em pintar o escudo do time no muro de casa, no Jardim Santa Rita (zona oeste). Ao lado o portão é azul. ''É loucura demais'', repreende a mulher.
Enquanto isso, no Jardim Lago Norte (zona norte), a tarde de sexta-feira era de pura ansiedade. O serralheiro Jéferson Belarmino de Oliveira, 31, empolga toda a família. Veste os sobrinhos, João Luís e Christopher com a camisa alviceleste. ''Amanhã (hoje) tem churrasco na sede da Falange Azul. Vamos ver o jogo em um telão'', diz Jéferson, entusiasmado com a possibilidade de uma alegria que não sente há muito tempo. (L.F.M.)





