Sorte que o empate veio logo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de julho de 1998
Élber Geovani Especial para a Folha 
Que sufoco que passamos, hein? Agora, quero gozar um amigo dinamarquês, meu vizinho aqui em Munique, que prometeu tirar um barato na minha cara se eles ganhassem. Só que o brincalhão sumiu. Amanhã (hoje) vou encontrá-lo. Mas tudo bem. No geral, gostei do futebol da Seleção Brasileira. Só tivemos dois momentos ruins: no início, quando a Dinamarca abriu a contagem, e no segundo tempo, no instante em que o adversário chegou aos 2 a 2.
No começo, ficou a impressão de que o gol deles deixou o Brasil meio atordoado. Se virasse 1 a 0, a gente estaria morto. A sorte é que o Bebeto empatou logo. Caso contrário, a coisa ia se complicar. Não tenham nenhuma dúvida disso. Tem uma detalhe: eu não me surpreendi. Já sabia que a Dinamarca poderia complicar. Eles não passaram pela Nigéria na base da sorte. É claro que não.
Vocês devem ter reparado como a Dinamarca não sentiu medo do Brasil. Outras seleções tradicionais, como a Alemanha e a Itália, teriam receio de nos encarar de frente. A Dinamarca veio pra cima. As principais jogadas deles giravam em torno do Brian Laudrup. Eles marcaram 1 a 0 e criaram moral. Gostaram do jogo. Não tinham nada a perder. Era na base do tudo ou nada.
Pra ser sincero, só notei duas falhas na Seleção Brasileira, se bem que isso não tira os méritos de nossa vitória: o Leonardo não combatia nem lançava. Esse é um problema desde o início da Copa: a falta de coordenação entre o meio-campo e o ataque. O Ronaldinho continua isolado. Não existe entrosamento entre ele o Rivaldo. Os dois quase não trocam passes.
Mas vamos pensar na Argentina ou na Holanda. Acho que os argentinos irão para as semifinais. É a velha dor-de-cabeça pro Brasil. Mesmo assim, acredito no título.


