Sorriso no rosto e medalha no peito
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
No rosto, um largo e belo sorriso, que não se desfazia por nada, bem diferente da cara fechada, concentrada, exibida nos tatames. No peito, o marco que dividirá a história do taekwondo brasileiro, a medalha de bronze alcançada em Pequim na categoria acima de 67kg, a primeira conquistada por um ''brazuca'' na história das Olimpíadas. Foi assim que a maringaense radicada em Londrina, Natália Falavigna, 24 anos, começou seu primeiro dia como a grande celebridade da cidade e da modalidade no País. Dia que teve ainda muita tietagem e desfile pelas ruas em carro do Corpo de Bombeiros.
Somente agora ela começa a enxergar a dimensão da conquista. ''A ficha demora um pouco para cair. Não tinha idéia da recepção, do que seria essa conquista, até chegar ao Brasil e chegar a Londrina. Ver como as pessoas torceram e como esse bronze vale ainda mais para elas'', confessou Natália, entre um flash e outro dos novos fãs.
Em Pequim, Natália Falavigna conseguiu se consolidar como uma das principais atletas do Brasil. Agora, espera conseguir fazer com que o taekwondo seja olhado com mais carinho. A Confederação Brasileira de Taekwondo recebe somente 1% dos repasses do esporte advindos das loterias, o mesmo que modalidades como o badminton e o hóquei na grama, que nem foram para os Jogos Olímpicos de Pequim. Mesmo assim, ela evita críticas e prefere ressaltar que o crescimento da modalidade pode mudar o quadro. ''O resultado mostrou que temos valor. Mostramos que merecemos mais. É importante o apoio do governo, mas temos que buscar apoio privado. Com mais apoio, podemos planejar com mais tranquilidade o próximo ciclo olímpico'', afirmou.
Modesta, Natália evita levar sozinha os louros da conquista e que sua evolução representa a evolução do taekwondo no Brasil. ''Não só eu sou (embaixadora da modalidade) como outras pessoas. O Diogo (Silva, medalha de ouro no Pan do Rio) não foi para a Olimpíada mas faz um grande trabalho. Tem o meu técnico, o Fernando (Madureira) e muitos outros apaixonados pelo taekwondo'', comentou.
Emocional
Natália faz questão de ressaltar que a equipe que trabalha com ela foi responsável direta na conquista. São dez pessoas dando suporte para a lutadora. Mas o grande diferencial foi o equilíbrio emocional. Natália contratou o psicólogo Hélio Gonçalves, que trabalhou com a equipe de revezamento do atletismo, medalha de prata em Sydney-2000. Apesar de morar em Cascavel, ele acompanhou a medalhista semanalmente no último ano. Natália trocou sua equipe depois das duas derrotas para a mexicana Rosario Espinoza, no Mundial e no Pan de 2007.
''Não só o psicólogo, mas toda a equipe que trabalhou comigo. Essa troca de informações fez a diferença. Quanto ao Hélio, acho que acertei. Ele mexeu comigo, me reergueu. Agora, nem se ele quiser se livrar de mim eu não o deixo ir embora'', disse, abrindo um sorriso.
Fechado mais um ciclo olímpico, Natália não quer saber de tatame. Quer descansar, curtir a família, comer um estrogonofe - um de seus pratos preferidos. A previsão para o restante do ano é de disputar apenas os Jogos Abertos de São Paulo, já que defende a equipe de São Caetano do Sul. Antes, no próximo domingo, ela terá um compromisso especial: dará o pontapé inicial para o clássico entre Flamengo e Fluminense, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro.
''Preciso descansar o corpo e a cabeça. Esse fim de ano vai ser mais tranquilo. Depois terei um ano de experiências, tem o Mundial. Quem sabe mudar de categoria. É o primeiro ano do novo ciclo olímpico'', contou. ''Em 2012, é possível sonhar com o ouro, com segurança dos patrocinadores para planejar os próximos quatro anos'', completou.


