Sonho de ser mãe une musas do vôlei
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de setembro de 1998
Marcos Freitas 
A torcida do vôlei brasileiro vai ter reforços a partir do ano 2000. É que Ana Paula, Leila e Fernanda Venturini pretendem ser mães depois das Olimpíadas de Sydney, na Austrália. Com isso, a seleção brasileira de vôlei deve perder três de suas melhores jogadoras de todos os tempos. Afinal, depois de uma gravidez a dificuldade de voltar à melhor forma das atletas deve mesmo encerrar a participação delas, tão consagrada e vitoriosa, na seleção brasileira.
Para Leila, que foi eleita pela segunda vez a melhor jogadora do Grand Prix, ter um filho após as Olimpíadas é um objetivo já traçado. Para ela, toda a mulher quer ser mãe. As que não querem são só as mentirosas, ironiza. Casada com o empresário Gustavo Milani, com quem tem uma relação de sete anos, Leila conta que está vivendo a sua melhor fase tanto pofissional quanto pessoal. Já estou preparada para ser mãe, diz.
Depois de ter passado maus bocados por causa de uma cirurgia no ombro, no ano passado, Leila garante estar bem melhor do que antes. E esta melhora é em todas as áreas, ela revela. Antes eu era muito ciumenta, possessiva e até infantil em alguns aspectos, confessa. Hoje eu me encontrei e só estão faltando três coisas: o título do Mundial, o das Olimpíadas e também um filho.
Fazendo planos como mamãe, Leila conta que se for menino vai se chamar Lucas e, se for uma menina, vai se chamar Bárbara. O meu nome era para ser Bárbara, mas o meu pai mudou na hora de me registrar, diz ela. É que ele era fã da Leila Diniz, revela.
A mineira Ana Paula Rodrigues Connelly, atacante de meio, 26 anos, é outra musa que pretende ser mãe depois das Olimpíadas. No ano passado ela chegou a ficar grávida mas perdeu o bebê. Ela afirma que o trauma já está superado e agora só pensa em jogar na seleção e conquistar os títulos que ainda lhe faltam: campeã mundial e olimpíca.
Ana Paula teve um ano complicado com uma contusão que a tirou das quadras por quase seis meses. A recuperação foi total, segundo ela, e nem o fato de estar sem clube tira a animação da atacante. Hoje só penso na seleção.
Casada há três anos com o norte-americano Jeffty Connelly, jogador de basquete, Ana Paula afirma que, se pudesse escolher, gostaria que o primeiro filho fosse uma menina. Ela se chamaria Julia. Se a cegonha trouxer um homem ele vai se chamar John. Mas quem escolhe é Deus e quem vier vai ser muito amado, diz ela, já em tom de mãe coruja.
Sobre a fama de ser uma musa do esporte brasileiro ela conta que não tem problemas. Primeiro, porque qual é a mulher que não gosta de ser achada bonita? E, depois, isso nunca subiu à minha cabeça, diz. Ana Paula conta que, pelo fato de ter saído muito cedo de casa, o seu amadurecimento foi mais rápido e não teve tempo para vaidades.
Para ela, o fato do Brasil ter conseguido o título no Grand Prix, há duas semanas, na China, vai dificultar muito para a equipe conseguir o inédito Campeonato Mundial. Agora somos as favoritas e isso pode ser perigoso, prevê. Precisamos de muita humildade para não sermos surpreendidas. Ana Paula acredita muito neste grupo como sendo um dos mais vencedores que o Brasil conseguiu formar. Apesar de estarmos passando por uma renovação, quem está chegando tem muita estrela e é vencedor, explica.
A primeira dama do vôlei brasileiro e melhor levantadora do mundo, Fernanda Venturini, também planeja para o ano 2000 a sua gravidez. Porém, essa paulista de Araraquara, que detém vários títulos de melhor jogadora da seleção e de campeonatos internacionais, vai casar antes. Isto deve acontecer já no ano que vem, com o técnico da seleção brasileira de vôlei feminino e também do Rexona/Paraná, Bernardo Rezende, o Bernardinho.
Fernanda conta que, se pudesse escolher, teria primeiro uma menina. É melhor porque as mulheres são mais companheiras, e uma menina poderá me ajudar na casa e também a cuidar dos outros bebês, diz, prevendo outra gravidez. Fernanda conta que o nome da menina vai ser Julia, numa homenagem ao pai da jogadora (Sr. Julio), já falecido. Mas quem tem que escolher é Deus e cabe a nós aceitar e amar o bebê que vier, diz.
Ela conta que com a gravidez vai ter que deixar a seleção brasileira, mas diz que poderá voltar a jogar em algum clube. Quero ter um filho e cuidar bem dele, diz. Não quero ter que parar treino para amamentar a criança, prossegue. Vou ter meu filho e cuidar muito dele, não quero deixá-lo na mão de uma babá.
Fernanda diz que a idade (ela vai fazer 28 anos ainda em 98) é que a fez programar uma gravidez para o ano 2000. Daqui a pouco o tempo passa, a gente não nota e eu fico para trás, diz. Ela conta que não tem preferência pela cidade onde o bebê deva nascer: Pode ser aqui, ou em São Paulo, diz.


