Cada vez mais o futebol se torna símbolo de ascensão social para milhares de garotos brasileiros. A imagem do atacante Ronaldo ganhando milhões de dólares, na Inter de Milão, fascinam e aninam esses candidatos a futuros astros. A possibilidade de ganhar dinheiro e ajudar a família a melhorar de vida movem esses garotos a conquistar espaço nos grandes clubes brasileiros e exterior.
Londrina tem seu exemplo do garoto humilde que teve uma infância sofrida - ajudava os irmãos a catar papel na rua - e mudou a sua vida e a da família jogando futebol. Descoberto no time de futsal da AABB em 1990, o atacante Elber rapidamente ingressou nos juniores do Londrina e, um ano depois, era vendido ao Milan, da Itália, por US$ 1 milhão.
O dinheiro ajudou Elber a dar conforto para a família, que deixou a casa do Jardim Sérgio Antônio (zona leste) e mudou-se para um apartamento no centro de Londrina. Mais tarde com a mudança de clubes - do Milan foi emprestado ao Grasshopper (Suíça), depois vendido ao Stuttgart (Alemanha) por US$ 3 milhões e, por último, negociado ao Bayern de Munique (Alemanha) por cerca de US$ 9 milhões -, Elber pôde comprar um sítio para o pai e dar um apartamento para cada irmão (José Carlos, João Bosco e Carlos Alberto).
Os dois clubes profissionais de Londrina são um parâmetro para o que ocorre em todo o País. Ambos recebem uma média de 100 garotos por semana para as famosas ''peneiradas'', nome como são chamados os testes promovidos pelos clubes. ''Temos uma média semanal entre 80 e 100 garotos. Destes, aprovamos apenas três ou quatro'', conta o coordenador-geral da Londrina Júnior Team (empresa que administra as categorias de base do LEC), João Severo. De fevereiro até hoje, reforça Severo, quase 1.500 garotos de idades variadas e todas as partes do País passaram por testes para ingressar nas divisões de base do clube.
''Pouquissímos são aproveitados. De cada 100, só um acaba ficando'', calcula Amarildo Vieira, diretor de futebol da Portuguesa Londrinense. A maioria, de acordo com Vieira, é de garotos humildes. ''De cada 10 meninos, sete são pobres, um é rico e três são da classe média'', afirma.

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