SONHAR NÃO CUSTA NADA - Luxemburgo despreza Europa mas quer seleção
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domingo, 09 de novembro de 2008
Luciano Balarotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Sem planos de voltar ao futebol europeu, mas com o sonho de comandar a seleção brasileira em uma Copa do Mundo. Este é o momento profissional pelo qual passa o treinador Vanderlei Luxemburgo, que esteve na capital paranaense como palestrante de seminário promovido pelo instituto que leva seu nome.
Polêmico como sempre, o técnico não poupou críticas aos colegas de profissão, dizendo que poucos estão preparados para os novos rumos do esporte, e à imprensa esportiva. ''Quando você é uma pessoa preparada, te tratam como mercenário. Dizem que eu ganho muito dinheiro com o futebol, mas não percebem que eu sou preparado para o mercado. As pessoas acham muito legal o Alex Fergunson ser manager do Manchester (United) há mais de 20 anos e acham que eu não posso ser manager no Brasil. É algo cultural nosso'', alfineta.
Sobre os seus pares, os questionamentos são em relação ao pouco envolvimento com a gestão do futebol. ''Não é que os técnicos não sejam de qualidade, eu só não vejo eles preocupados com o que está acontecendo no mercado, no negócio futebol. Você sempre ouve os treinadores falarem que sua única preocupação é de treinar o time. Isto aí é muito fácil'', afirma.
Na opinião de Luxemburgo, a responsabilidade do cargo exige participação em muitos outros setores do clube, atuando em planejamento, logística, administração, acompanhamento médico e psicológico dos atletas e comunicação. ''Me foi passada no Palmeiras a gestão de 40 milhões (de dólares). Eu tirei um atleta do Coritiba (o zagueiro Henrique) por três milhões (de dólares) e vendi por dez milhões (de euros)'', disse o treinador em sua palestra, exemplificando a forma como administra os recursos oriundos da Traffic, empresa de marketing esportivo que investe no clube.
Luxemburgo lembrou ainda como participou da montagem do elenco do Palmeiras para a temporada de 1996. ''Para a contratação do Muller, pensamos no custo-benefício, enquanto as vindas do Djalminha, do Luizão, do Flávio Conceição foram investimentos. Quando o Muller saiu do Palmeiras ele não rendeu nada aos cofres do clube, mas com ele comandando aquela equipe os outros atletas foram bastante valorizados e renderam 60 milhões (de reais)''.
Aos 56 anos, sendo 42 deles ligados ao futebol, o treinador não perdeu a sede de conquistas, e espera ganhar seu sexto Brasileiro ao final da temporada. ''Analisamos a tabela do campeonato e tínhamos a certeza de que chegaríamos nesta reta final com chance de ser campeão e que nosso principal rival era o São Paulo e não o Grêmio'', destaca Luxemburgo, que acredita no título mas afirma que não será fácil, até pela competência do técnico Muricy Ramalho.
Se ampliar o recorde de títulos nacionais é meta imediata, Luxemburgo não demonstra interesse em voltar ao futebol europeu. ''Nós somos tão ou melhores preparados que eles. A Europa só tem uma coisa a mais do que o Brasil, que é o PIB. Eu fui ao Real Madri e lá não tinha nutricionista, não tinha fisiologista, fazia cinco anos que não tinha teste de nenhum jogador. Isto (a vontade de trabalhar na Europa) já passou. Eu já sou avô, quero curtir minha netinha. Mas, se acontecer uma proposta muito boa, que eu entenda que é legal, aí pode ser que eu vá'', explica.
O técnico só não esconde o desejo de voltar à seleção. ''Se eu deixar de sonhar eu estou morto. Eu sonho em ser campeão do mundo um dia, quem sabe, pela seleção brasileira. Se em uma Copa no Brasil eu for campeão do mundo pelo Brasil, daí eu posso morrer em paz'', destaca.
Além desse sonho, Luxemburgo tem outros planos profissionais, longe do banco de reservas. ''A partir do momento em que eu perder a força de trabalhar como técnico, aí vou querer ser presidente de clube. E se for para ser presidente de clube, vai ser do Flamengo, porque eu sou flamenguista'', conclui.


