Somos xingados por ser brasilianos
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domingo, 26 de outubro de 2008
Jaime Kaster<br>Equipe da Folha 
Londrina - Marcinho Forte, 31 anos, ala da seleção italiana terceira colocada no Mundial de Futsal encerrado semana passada, no Brasil, é nascido e formado em Londrina. O jogador atuou no Londrina Futsal, onde disputou a Liga Nacional de 2002, ano em que conseguiu dupla cidadania e assinou contrato com a Lazio, de Roma. Desde então, passou pelo BNL (de Roma), Peruguia (com o qual foi campeão italiano em 2004) e Montesilvano (seu clube atual). Sua transferência abriu precedente para dezenas de jogadores do Paraná se mudarem também para a Velha Bota. Como "italianos", foram ingressando na seleção local, chegando ao ponto de, neste Mundial, os 14 atletas da "Azurra" serem brasileiros. Confira a entrevista exclusiva concedida pelo jogador à FOLHA:
FOLHA - Esse foi seu primeiro Mundial pela Itália. Como avalia a sua participação e a da equipe?
Marcinho - Primeiro, ressalto todo meu agradecimento à Itália, que me acolheu, que me mantém financeiramente e me deu a oportunidade de realizar meu maior sonho, que era jogar um Mundial. Pela seleção da Itália disputei também meu primeiro Europeu de futsal, em janeiro, quando perdemos a final para a Espanha por 3 a 1. E neste Mundial provamos que poderíamos ter feito a final contra o Brasil. Fizemos uma grande semi contra a Espanha, estava 2 a 2 (na prorrogação) e infelizmente aconteceu aquele gol quando já tinha acabado (o jogo). Mas o futsal é emocionante por isso. Quanto à minha atuação, fiquei satisfeito e também por ter feito dois gols. A imprensa italiana me elogiou nos jogos contra Tailandia, Portugal, Ucrânia e Rússia.
O futsal da Itália evoluiu desde o vice-campeonato no Mundial de 2004?
Essa seleção atual é mais forte, pois esse Mundial foi muito mais difícil que o de 2004. Havia 20 seleções e para chegar às finais foram nove jogos em 20 dias. E vimos surpresas como Irã, Tailândia, Egito e Líbia, que eram times que levavam goleadas e não levam mais.
Fale sobre a discussão no intervalo do jogo contra o Brasil.
Durante o jogo, o auxiliar-técnico da seleção brasileira
(Marcos Sorato) estava transtornado, xingando todos nós de traidores, mercenários e de outras coisas. No fim do primeiro tempo, eu estava saindo, quando vi ele entrar na quadra e ir para cima do Foglia (da Itália) para insultá-lo. Fui tirar meu companheiro da confusão e quando me aproximei fui também insultado e ainda por cima ele cuspiu em mim. Eu o empurrei e a confusão começou. O que mais me incomodou foi que a mídia não mostrou os fatos como eles aconteceram e que fui expulso, ficando fora de dois jogos.
Você considera que, como brasilianos, são incompreendidos pelos brasileiros?
Existem pessoas que confundem a oportunidade que estamos tendo com desrespeito ao Brasil. Um jogador da seleção chegou a declarar que era uma afronta ao Brasil nós jogarmos por outra seleção. Mas esse mesmo jogador está fora do País ganhando seu dinheiro. Por que não joga no Brasil, já que é tão nacionalista?
Você está bem no Montesilvano? Pretende morar na Itália depois que parar?
Mesmo tendo propostas de outros times (dentro e fora da Itália) renovei meu contrato por mais dois anos com o Montesilvano. Quanto ao futuro, acredito que a gente pode ser o que quiser se acreditar com convicção e agir de acordo com a sua fé, sempre com humildade e trabalho.


