Pequim - O Tiago Camilo campeão e melhor judoca do Mundial de 2007 já era. Segundo ele mesmo, o atleta que estará no tatame de Pequim, a partir da madrugada de amanhã, é muito mais. ''2007 é um parâmetro para todo mundo. As pessoas estão me estudando a partir dali. E eu surpreendi por ter evoluído muito até 2007. E tenho certeza de que evoluí muito de 2007 para cá. Então o objetivo é levar um Tiago muito diferente para a Olimpíada. Melhor, mais preparado, mais focado, mais motivado e querendo mais que todo mundo. Se eu queria no Mundial, estou querendo muito mais agora'', afirmou.
Seguro e falando de si na terceira pessoa, mas com o tom de voz sereno do rapaz que surpreendeu em 2000 com a final olímpica aos 18 anos, Camilo diz estar ciente da pressão. ''A gente aprende muita coisa, e hoje vejo que em 2000 não faltou nada. Mas, sim, ficou um desejo de querer mais.''
Mais que a prata, que ele já tem, existe só o ouro, o título. Será uma tragédia ficar sem essa medalha então? ''Nunca precisei provar nada para ninguém. Por tudo que já fiz na minha carreira desde os 16 anos: campeão mundial júnior, juvenil, vice-campeão olímpico, campeão do Pan, do Mundial. Muitas coisas já aconteceram. Na verdade, o Tiago não precisa provar nada com a medalha olímpica. Então não tem desgraça, tragédia, medo. Só a vontade, o querer, o querer vencer, o querer fazer história, o querer repetir um bom feito, um bom resultado.''
Para chegar a isso, o meio-médio de 26 anos fala que mentalizou diariamente as dificuldades da Olimpíada. A caminhada começa amanhã contra o japonês Takashi Ono.
Decepção
Grande esperança de medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, o atual bicampeão mundial João Derly afirmou após a derrota para o português Pedro Dias, em sua segunda luta pela categoria até 66 kg, na madrugada de ontem, que fez o seu melhor. ''Hoje (ontem) não era meu dia. Mas tenho consciência de que fiz o meu melhor'', disse Derly, que disputava sua primeira Olimpíada. O judoca disse também que sabia como o adversário lutaria e que não conseguiu se prevenir contra o estilo do português.
Derly, que havia ganhado do sul-coreano Joojin Kim em sua estréia por um koka, foi superado por Dias por um koka e um wazari.
Já Andressa Fernandes (até 52 kg) foi derrotada pela sul-coreana Kim Kyungok. Nenhum dos judocas brasileiros teve chances de participar da repescagem, pois seus algozes foram derrotados antes de chegarem às semifinais.

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