Sol 'de rachar' castiga torcida no Café
Lúcio Horta
De Londrina
O forte calor que fez ontem em Londrina castigou o torcedor que foi ao Estádio do Café ver o jogo da Seleção Brasileira. Segundo previsão do Simepar, a máxima ontem na cidade seria de 31 graus. Mas para quem estava no estádio, a sensação era de muito mais algo em torno de 36 graus. Para espantar a alta temperatura, fazia-se tudo: toalha na cabeça, óculos escuros, guarda-chuva e corpo lambuzado de protetor solar.
Teve gente, como Márcio Chagas, 21 anos, que inovou e tirou do guarda-roupa o mexicaníssimo sombreiro. De longe era possível identificá-lo na arquibancada, no meio de muitos torcedores.
O calor foi tanto que a Comissão Organizadora do Pré-Olímpico resolveu liberar a venda de água pelos ambulantes, no meio da arquibancada. Antes, a água só era comercializada nos sete bares instalados dentro do Estádio do Café. O sol está muito forte, é perigoso até dar ensolação. Então resolvemos liberar, explicou Marcos Colli, membro da comissão e responsável pela comercialização de mercadorias dentro do estádio.
Melhor para o vendedor Rosende Alves, de 31 anos, que suava a camisa carregando o isopor lotado de copinhos de água mineral. Ele esperava vender, até o final da rodada dupla, cerca de 500 unidades. Mas o que fazer para aguentar o trabalho pesado? É difícil. Mas como o pessoal está bebendo bastante, a caixa logo fica leve. Teve torcedor que comprou água só para esfriar a arquibancada. E a gente também bebe um pouco, senão não tem jeito, disse Alves.
Já os torcedores procuraram se prevenir antes mesmo de sair de casa. Antônio Sérgio, 39 anos, que foi ao jogo com o filho Luiz Guilherme, parecia vestir um traje árabe com a toalha sob o boné. Para matar a sede, levou um saquinho de supermercado cheio de gelo e copinhos de água. Lá dentro é muito caro, a gente paga até R$ 1,50, reclamou. No supermercado, paguei apenas R$ 0,17.
Levar água de casa também foi a solução encontrada por Vanderclei Arouca dos Santos, 38, que foi ao estádio com amigos. Eles compraram dezenas de copinhos de água, que foram acomodados numa mochila. Além da bebida, Santos protegeu a cabeça com a própria bandeira da Seleção Brasileira. E é bom que esteja calor. É para esquentar o clima do jogo, brincou.
Com criança, o cuidado tinha que ser redobrado. Por isso, Ademir Lalau, 33, e a esposa Fátima, não pensaram duas vezes em levar o velho guarda-chuva para dentro do estádio. Junto com eles estava a filha Bárbara, de apenas 10 meses de idade. O guarda-chuva é para amenizar o calor, que está muito forte. Trouxemos também toalha, água, mamadeira..., disse Ademir. Eu venho sempre no estádio, mas ela (Bárbara) é a primeira vez. Então tem que se prevenir.
Até cartaz feito para chamar a atenção da tevê acabou sendo utilizado para amenizar o calor. Foi o que fez Jorge Guilherme Cerigato, 39, que usou a cartolina branca com a inscrição Filma aqui, Unesp Bauru para cobrir as cabeças de duas crianças que estavam com ele. Estrategicamente, Cerigato sentou na arquibancada oposta às cabinas de televisão, onde o sol batia de frente. Tá muito quente. Com esse sol não sei como a gente vai aguentar.Quem foi ao estádio ontem teve de usar a criatividade para amenizar o calor que, lá, na multidão, parecia ser ainda maior
Cesar AugustoO casal Maurício e Sônia Naboszni: toalhas e muito líquidoCesar AugustoAdemir Lalau com a esposa e o filho: água, toalha, mamadeira...Cesar AugustoAntônio Sérgio com o filho Luiz Guilherme: água do supermercadoCesar AugustoMárcio Chagas com o sombreiro: chapéu mexicano o identificava facilmente em meio a tantos torcedoresCesar AugustoVendedores ambulantes percorrem: Comissão Organizadora decidiu liberar venda de água nas arquibancadasProibida, venda de água pelos ambulantes foi liberada





