Socióloga defende polícia especializada
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Anelso Paixão<br>Agência Estado 
São Paulo - Para a professora de Sociologia do Esporte da Unicamp, Heloísa Reis, que estuda a violência no futebol desde 1995, o problema ocorrido no clássico entre São Paulo e Corinthians tem vários pontos a serem discutidos, mas, o principal deles, é a falta de uma polícia especializada.
Segunda Heloísa, quando a polícia se orgulha de destacar um contingente imenso para oferecer segurança a um evento deste tipo, na verdade, o que está ocorrendo é um desperdício de dinheiro público. Não é uma questão de quantidade, mas de qualidade dos profissionais que serão destacados para a tarefa, disse a socióloga.
Heloísa explica, ainda, que o Batalhão de Choque também não é a melhor alternativa para resolver questões de conflitos entre torcedores e acaba transformando a polícia em fomentadora da violência. Por uma questão cultural, que vem dos tempos da ditadura, a tropa de choque não é bem vista pela população e não vai conseguir mudar essa imagem.
A pesquisadora comenta também que existe um histórico preocupante de violência entre a PM de São Paulo e a torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians. Os torcedores entendem que a polícia é mais violenta com eles e a polícia afirma que eles são vândalos e perigosos. Ou seja, existe uma reclamação antiga de discriminação, o que deixa a relação muito mais tensa, disse, para acrescentar: Sem contar a questão da impunidade, de ambos os lados, já que ninguém acredita que alguma punição vá ocorrer.
Sobre o clássico do último domingo, a socióloga entende que também faltou orientação. Será que os corintianos sabiam que teriam de ficar 30 minutos confinados no estádio até poderem sair?. E também critica o comportamento dos dirigentes. Essa tentativa de mudança de cultura, com a redução de carga de ingressos para o visitante, era necessária, mas os dirigentes deveriam fazer e pronto, sem tantas discussões, ainda mais diante de uma grande massa como é o caso da torcida corintiana.
Outro ponto preocupante, segundo ela, é o controle das imagens gravadas pelo sistema de segurança dos estádios. Quem paga a empresa que cuida das imagens é o clube mandante. Logo, se as imagens incriminarem esse clube, será que serão cedidas? Isso deveria estar nas mãos da polícia, afirmou.


