Naydjel Callebe deve retornar temporariamente ao Trieste, clube de Curitiba no qual estava treinando até ser chamado para ir ao Flamengo
Naydjel Callebe deve retornar temporariamente ao Trieste, clube de Curitiba no qual estava treinando até ser chamado para ir ao Flamengo | Foto: Arquivo Pessoal/Instagram



Nilson Strohschein, pai do jovem volante Naydjel Callebe, um dos sobreviventes do incêndio do Centro de Treinamentos Ninho do Urubu, do Flamengo, afirmou que seu filho deve retornar temporariamente ao Trieste, clube de Curitiba no qual estava treinando até ser chamado para ir ao Flamengo, no início deste ano. O retorno ao clube curitibano será até que haja uma definição do jogador e de seus pais sobre o futuro.

Segundo Strohschein, que é de Marechal Cândido Rondon, o empresário que está como responsável pelo jogador tenta viabilizar a viagem até a capital paranaense, já que todos os documentos do jogador foram queimados no incêndio. "Eu conversei com meu filho e meu piá está muito triste pelo acontecido. Disse que perdeu amigos, principalmente o Gedson, que esteve com o Naydjel no Trieste também. Mas disse que está bem, muito bem", se referindo à saúde dele.

Naydjel publicou no Facebook a mensagem "Que Deus ilumine as famílias que perderam seu filho no incêndio", acompanhada da hashtag #luto.
No Instagram ele tranquilizou as pessoas afirmando que está bem. "Sorte que saí antes do fogo se agravar. Não tive nada de machucado. Fui um dos primeiros a sair". Ele justificou que não está atendendo as ligações, porque seu telefone celular está queimado. Segundo o volante, o incêndio teria começado pelo ar condicionado e depois o equipamento teria explodido. Posteriormente o fogo se espalhou pelo alojamento.

Nilson relatou que antes de saber da tragédia, tinha acabado de voltar do CT Ninho do Urubu, depois de deixar o filho lá, no dia 7. A viagem de volta a Marechal Cândido Rondon tinha durado 27 horas de ônibus e às 8 horas da manhã ainda estava dormindo. Sua filha Cynthia está em lua de mel em Fortaleza e um padrinho que tomou conhecimento do fato enviou uma mensagem perguntando como estava o Naydjel, e ela não sabia de nada. "Quando consegui ler o link da notícia que ele me enviou e vi que havia mortos, me apavorei", destacou Cynthia. O pavor aumentou quando souberam que a idade dos mortos era de 14 a 17 anos. "E meu irmão tem 14 anos", enalteceu. Ela ligou para sua mãe, Carla, que entrou em desespero. Ela chamou Nilson e ambos tentaram chamar o filho pelo celular, mas como o aparelho foi queimado no incêndio, não recebia ligações. O suspense durou cerca de uma hora, até que Naydjel conseguiu ligar para os pais, com um telefone emprestado, dizendo que estava a salvo. "Ele só saiu com a roupa do corpo. Nas imagens divulgadas do incêndio ele é o quarto ou quinto que sai do alojamento", apontou.

Antes da tragédia, a última mensagem que Naydjel havia enviado ao pai foi de que ele tinha passado a tarde no shopping. "Mas quando anunciaram que havia 10 mortos, não tem como não passar um filme na cabeça. Foi uma hora de angústia. Ninguém tinha notícia. Eu sabia que tinham poucas crianças no CT e com aquele número de mortos anunciado e todos os pais dos internos procurando informações no grupo de WhatsApp, foi desesperador", declarou.
Questionado sobre os próximos passos da família, Nilson desconversou. "Eu não quero pensar nisso agora. Estou esperando ele. Quero abraçar o meu menino. Para quem está nessa situação nada mais é importante", declarou com voz embargada e bastante emocionado.
"Ele já passou por muita coisa. Vem nesse pasto há muito tempo. Ele foi da categoria de base do futsal. Sei que vai ficar sequela desse acontecimento. Seja lá o que ele decidir, vou respeitar a decisão dele. A vontade vai ser dele", declarou Nilson.

A família do londrinense Pablo Ruan Messias Cardoso, 16 anos, viajou ao Rio de Janeiro, mas até o fechamento desta edição ainda não conseguiu se encontrar com o jogador. A mãe do atleta, Valquiria Aparecida da Cruz Messias, afirmou que está hospedada em um hotel e que seu filho já repassou informações sobre o que ocorreu no dia para a polícia, no inquérito aberto para tentar apurar as causas do episódio. Valquíria afirmou que tão logo seu filho seja liberado, retornará a Londrina, mas ainda não há um prazo para que isso aconteça.

No site do Flamengo, o clube lamentou a tragédia e se colocou à disposição das autoridades e das famílias para auxiliar na apuração das causas do incêndio e, de alguma forma, minimizar a dor e o sofrimento das famílias dos atletas e funcionários atingidos.

Em entrevista coletiva realizada sexta-feira, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, classificou o acidente como "a maior tragédia pela qual o clube já passou nos 123 anos de sua existência".

"Eu estava até agora envolvido em ações emergenciais e na distribuição de algumas tarefas importantes, só agora consegui me desvencilhar dessas tarefas e vir falar com vocês. Estamos todos consternados. Certamente essa é a maior tragédia pela qual o clube já passou nos 123 anos de sua existência, com a perda dessas pessoas. Queremos tentar minimizar o sofrimento dessas famílias. Estejam certos de que o Flamengo não irá poupar esforços para minimizar ao máximo essa dor. O clube está colaborando com as autoridades para que as causas do incêndio possam ser apuradas. Ninguém mais do que nós tem total interesse para que isso ocorra. Todos no clube estão de luto", disse o mandatário rubro-negro.

Leia mais na matéria de Pedro Marconi.

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