A sétima edição do Festival Rogério Romero de Natação, realizada na última semana, terminou com a participação de cerca de 500 atletas entre as etapas de Curitiba e Londrina. A presença do ídolo na piscina do Londrina Country Club serviu de estímulo para que jovens nadadores deixassem o medo da chuva de lado e mergulhassem em busca do melhor tempo.
  E sobraram medalhas, já que o objetivo maior do festival ‘‘é a festa, é ver o pessoal contente, ver a bagunça do povo de fora. Mesmo que não aponte campeão, o festival é importante para a formação do atleta, faz com que ele tome gosto pelo esporte’’, definiu o próprio Rogério Romero.
  Segundo ele, hoje, a natação brasileira continua bem representada por atletas que costumam sair dos grandes clubes brasileiros. ‘‘As faculdades estão investindo, mas os nadadores dependem essencialmente dos clubes’’, disse Romero, que destacou os bons resultados nos Jogos Pan-Americanos do Rio.
  ‘‘Hoje a natação brasileira não depende de um único atleta, mas sim de um grupo de nadadores e por isso nadamos bem em todos os estilos e temos profissionais que estão seguindo os passos de ídolos como o Xuxa e o Gustavo (Borges) e batendo recordes. E isso vale para o feminino também’’, opinou.
  No entanto, para Romero, o público brasileiro não deve esperar o mesmo número de medalhas do Pan na Olimpíada de Pequim. ‘‘São competições diferentes e o atleta entende, mas o público não. O Brasil precisa se manter no ranking dos dez do mundo e trabalhar muito para obter a condição de medalhista.’’ Entre os nadadores com chances reais de conseguir medalhas na China, ‘‘se treinarem bem’’, Romero citou César Cielo, Kaio Márcio e a sensação Thiago Pereira.
  Longe das terras vermelhas, Romero não tem acompanhado o desenvolvimento da natação londrinense, mas comentou sobre o fim da equipe do Londrina Country. Para ele, por depender de voluntariado e da mobilização dos pais, a natação de Londrina, e do Brasil, tem se profissionalizado pouco.
  ‘‘As pessoas têm outras prioridades hoje. Os pais não valorizam o momento. Não vêem o esporte como um meio de desenvolvimento dos filhos, da família e da cidadania’’, declarou.
  Para o nadador, o problema é a base. ‘‘O resultado de alto nível continua bom, com condições. Tem tanto atleta que quer nadar e a natação está entre os cinco esportes mais praticados no Brasil. Mas falta conscientização, falta fazer as pessoas entenderem que o importante não é só ganhar medalha e competir. É fazer uma atividade física, conhecer novos amigos, levar a prática para a vida toda.’’

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