Sob tensão, rivais fazem clássico de 'vida ou morte'
Fernando Tupan
De Londrina
Uruguai e Argentina fazem hoje, às 19h30, no Estádio do Café, uma partida de alta tensão e risco. As equipes dividem a última colocação do quadrangular final do Pré-Olímpico, com nenhum ponto ganho, e precisam vencer para continuar com chances de ficar com uma das vagas para as Olimpíadas de Sydney, em setembro. Como a partida vai ser de vida ou morte, pode-se esperar de tudo durante os 90 minutos.
Os treinadores negam uma possível batalha entre os jogadores dentro de campo. No encontro no Estádio Olímpico, em Cascavel, sábado passado, ainda pela fase de classificação, o clima esquentou entre argentinos e uruguaios. Após o jogo, o lateral-direito Cufré, da Argentina, disse ao meia uruguaio Giacomazzi que a derrota por 2 a 1 não queria dizer nada. Lembrou do resultado da final do Mundial da Malásia Sub-20, em 97, quando a Argentina venceu a decisão por 2 a 1.
O meia uruguaio Coelho não gostou da brincadeira e foi tomar satisfação com o adversário. A dupla bateu boca, mas a turma do deixa disso contornou a situação. O técnico Victor Púa teve que interferir para acalmar alguns jogadores. No final da partida, ele fez questão de explicar que a discussão foi contornada e que não iria acontecer outra vez.
O discurso de Púa continuou o mesmo em Londrina. O que aconteceu na semana passada, aconteceu. A partida de hoje será apenas mais um clássico. Futebol não é guerra. É pra ser jogado dentro das quatro linhas, disse o treinador. Pedi para meu elenco ficar concentrado somente na bola, sem ceder a qualquer tipo de provocação que possa nos afetar psicologicamente.
José Pekerman, da Argentina, tem opinião semelhante: Futebol é para ser jogado dentro de campo. Nós não precisamos criar nenhum clima para vencer nosso adversário. Na partida de Cascavel tivemos dois jogadores expulsos, o que acabou prejudicando nossa reação. Sem esses inconvenientes, o resultado final poderia ter sido outro.
O zagueiro uruguaio Lembo, improvisado na lateral-direita, confessou que os jogadores conversaram com a Comissão Técnica sobre a catimba do rival. Nós não podemos entrar no jogo argentino. Vamos procurar jogar nosso futebol para chegar à vitória. Uma vitória servirá para levantar o ânimo. O fator psicológico é muito importante para que a equipe chegue às Olimpíadas.
Cufré disse à Folha que ele não vai entrar em campo encarnado com o espírito da revanche devido aos incidentes em Cascavel. Vamos entrar em campo com o objetivo de vencer o Uruguai. Revanche, nem pensar. Cada partida é uma história diferente. Temos melhores jogadores que nossos adversários, se você colocar no papel. Mas precisamos mostrar isso durante os 90 minutos.





