Sob tensão, Argentina pretende mudar estilo para superar Brasil
Fernando Tupan
De Londrina
A Seleção Sub-23 da Argentina mudou. Os cabelos compridos da época de Cannigia estão fora de moda. Fashion agora são as costeletas e os cabelos curtos. É com esse novo visual moderno que a equipe do técnico José Pekerman deseja puxar o tapete da Seleção Brasileira amanhã à noite, no Estádio do Café, pela segunda fase do Pré-Olímpico, em Londrina.
Os argentinos não mostram temor ou preocupação por enfrentar os donos da casa logo na primeira partida do quadrangular. Temos respeito por uma grande seleção, que até domingo passado não vinha se apresentando muito bem no torneio, comentou o treinador. Estamos tranquilos. A Argentina vai assediar o gol brasileiro objetivando largar bem esta fase.
Buscando ainda reencontrar seu futebol, o atacante Saviola, de 18 anos, espera fazer uma boa exibição e marcar os gols que vêm sendo cobrados pela imprensa do seu país. Venho tentando jogar tudo que eu sei. Estou atravessando um mau momento na minha carreira, mas sei que tenho condições de superar esse momento crítico. Contra o Brasil quero readquirir a confiança da torcida no meu futebol.
O discurso do meia Scaloni mudou nos últimos dias. Ele evitou ontem expressar sua opinião sobre o Brasil, como fez anteriormente, quando falou que a Argentina iria passar facilmente pelos brasileiros. Vai ser uma partida difícil. O Brasil vem de uma goleada por 9 a 0 sobre a Colômbia e está embalado. Posso garantir que vamos demonstrar em campo o mesmo fervor dos nossos adversários.
A esperança é repetir a peça pregada aos brasileiros no Mundial da Malásia Sub-20, quando o Brasil goleou a Bélgica nas oitavas-de-final por 10 a 0 e, nas quartas-de-final, perderam para a Argentina 2 a 0. Nessa partida um dos gols foi do atacante Biagini, que faz parte do atual elenco argentino. Se eu começar jogando vou tentar repetir minha atuação daquela partida, disse Biagini ontem à Folha. Todos nós sabemos de nossas possibilidades. A partida vai ser difícil, mas podemos vencer. A única forma de conseguir o resultado é correr, suar a camisa e marcar gols, ele acrescentou.
Para enfrentar o favoritismo do Brasil, Pekerman tem problemas. Placente e Markic cumprem suspensão automática por cartão vermelho. O anúncio dos substitutos sai somente após o treinamento de hoje. Mas não vai ser surpresa se o treinador resolver criar mistério, já que o técnico adversário, Luxemburgo, também só pretende liberar a escalação momentos antes da partida.
A vida poderia ser mais fácil para o treinador argentino se quatro de seus principais jogadores não tivessem pequenos problemas de contusão. Riquelme se recupera de uma torção no tornozelo; Aimar sente dores no tornozelo; Biagini tem um problema no púbis; e Scaloni, uma pequena lesão no peito do pé. Apesar desses problemas, o quarteto deve ser liberado para jogar amanhã.
A forma de jogar da Argentina vai ser totalmente diferente do jogo contra o Uruguai derrota por 2 a 1, na última partida da fase de classificação do Grupo B, em Cascavel. Pelo menos é o que aposta o técnico. Seremos uma outra equipe, disposta a reencontrar a vitória.
Moral no chão A vontade de vencer está associada ao péssimo ambiente que reina na delegação. A tensão pode ser sentida quando jornalistas conversam com o assessor de imprensa, Ricardo Ruiz, constantemente agressivo e de mau humor. A crise surgiu após a derrota o Uruguai, sábado passado, quando o moral da equipe de José Pekerman foi jogada ao chão.





