Sob suspeita, Amarilla é afastado
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segunda-feira, 22 de junho de 2015
Raphael Ramos<br>Agência Estado 
São Paulo - O Corinthians reagiu com indignação à notícia de que o ex-presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, morto em 2014, teria agido nos bastidores da Conmebol para indicar o árbitro paraguaio Carlos Amarilla para apitar a partida contra Boca Juniors, pela rodada de volta das oitavas de final da Copa Libertadores de 2013. Naquele jogo, o time teve dois gols anulados, dois pênaltis não marcados e acabou eliminado da competição.
"Aquela arbitragem foi muito estranha, causou até constrangimento. Agora, saindo essa notícia, é mais um motivo para a gente estar ainda mais atento a tudo o que aconteceu. O Corinthians não vai deixar de lado uma situação tão séria e importante", afirmou o gerente de futebol Edu Gaspar.
O canal TV América, da Argentina, divulgou no último domingo gravações entre Grondona e Abel Gnecco, diretor da Escola de Árbitros da AFA e representante da entidade na Comissão de Arbitragem da Conmebol. Na conversa, Gnecco revela que pressionou Carlos Alarcón, diretor da comissão, a escalar Amarilla. "O maior reforço que o Boca teve no último ano foi o Amarilla", disse Grondona a Gnecco, de acordo com as escutas.
A diretoria do Corinthians ainda não definiu quais serão as medidas que o clube vai tomar, mas Edu Gaspar pediu punição aos envolvidos. "Já descobriram o vazamento das informações, agora vamos esperar as investigações. Estamos à disposição para continuar e ir até o final para tirar tudo a limpo porque isso é uma coisa muito feia e chata para o futebol".
Ontem, a Federação Paraguaia de Futebol anunciou que Amarilla e um de seus assistentes naquela partida, Rodney Aquino, não trabalharão em partidas organizadas pela entidade até que sejam concluídas as investigações sobre a escalação da dupla nas oitavas de final da Libertadores de 2013.
Em entrevista à Rádio AM970, do Paraguai, Amarilla garantiu ser inocente. "Quero que se abra uma investigação, isso é o que eu mais quero. Quem não deve não teme. No mundo dos árbitros não existe corrupção. Só somos os irmãos pobres do futebol. Trabalhamos com o coração e querem nos envolver. Tenho 27 anos de carreira e ninguém pode me apontar o dedo".
O paraguaio também afirmou que não teve intenção de prejudicar o Corinthians. "Todos os árbitros cometem erros, mas nunca com má intenção. Essa é a lei do futebol".
À época, a Comissão de Árbitros da Conmebol suspendeu Amarilla, Aquino e o outra bandeirinha da partida, Carlos Cáceres, também paraguaio.
Curiosamente, uma semana antes da partida, o então presidente do Corinthians, Mário Gobbi, e o seu antecessor, Andrés Sanchez, estiveram na sede da Conmebol, no Paraguai, para almoçar com o uruguaio Eugenio Figueredo, presidente da entidade à época. Os dirigentes, no entanto, garantiram que não falaram sobre arbitragem durante o encontro.


