Santos, 10 (AE) - O técnico Carlos Alberto Silva procurou fazer os ajustes necessários à sua equipe no coletivo de hoje, mas tudo o que ele quer é um pouco mais de tempo para que o grupo consiga o entrosamento e comece a vencer. Sabe que não contará no jogo de domingo, contra a Ponte Preta, com o time de seus sonhos, já que Rincón cumprirá suspensão e Valdo, contratado ontem, só deverá estrear no clássico contra o Corinthians, dia 19.
Silva sabe também que a torcida será implacável nessa partida, já que espera ver o time milionário produzindo um bom futebol e - principalmente - as vitórias que possam conduzir o Santos ao título de campeão paulista. "Sei o risco que corro, mas importante é ter a consciência tranquila de estar realizando um trabalho difícil, já que peguei o Santos sem uma base". E o risco é de que a impaciência dos torcedores possa abreviar sua passagem pelo Santos: uma derrota ou mesmo uma atuação desastrada domingo pode determinar a saída do treinador, o que já vem sendo defendido por alguns dirigentes.
CONJUNTO - Desde que chegou à Vila Belmiro - há mais de dois meses - Carlos Alberto Silva vem tentando conseguir dar um conjunto ao grupo de jogadores, mas não conseguiu fazer isso até agora. "É o trabalho mais difícil que já realizei, porque estou montando um time zero-quilômetro", disse ele, referindo-se à completa renovação do elenco.
Com efeito, somente Dodô foi mantido no time principal. Os demais foram contratados ou pertenciam ao Santos ou estavam emprestados e foram reincorporados, caso de Caio, Dutra e Baiano.
Carlos Alberto Silva testou vários jogadores, mas não obteve sucesso ainda numa ligação eficiente entre os três setores e o resultado foi um ataque jogando isolado na única partida que o time disputou no Paulista - um empate por dois gols contra a Matonense. Valdir teve uma atuação apagada e coube a Dodô definir o que aconteceu: "não adianta o Carlos Germano pegar a bola, dar um chutão para a frente, porque isso só complica". O que ele pretende é "receber a bola trabalhada, para facilitar as jogadas de ataque". A solução desse problema pode ser Valdo, que começará a treinar na segunda-feira.
CAUTELA - Carlos Alberto Silva preparou um esquema tático cauteloso para jogos fora de casa, armando o meio-de-campo com três volantes, mas conseguiu apenas desequilibrar a ligação com o ataque. "Jogamos muito recuado e o Santos tem que jogar como time grande", comentou Dodô.
Para o jogo de domingo, esse esquema será mudado, sendo que o terceiro e o quarto homem de meio-de-campo - provavelmente Caio e Robert - deverão jogar mais avançados, encostando em Dodô e Valdir. "Em Matão, temia uma correria do adversário em cima de Rincón, que estava voltando de contusão e escalei os três volantes", revelou o técnico na tarde de hoje.

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