Sob desconfiança, Brasil busca vaga na semifinal
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sexta-feira, 26 de junho de 2015
Gonçalo Junior e Almir Leite<br> Agência Estado 
Concepción, Chile - O adversário da seleção brasileira hoje, às 18h30 (de Brasília), no estádio Ester Roa, em Concepción, no Chile, pelas quartas de final da Copa América, não é só o Paraguai. A equipe também enfrenta a desconfiança após a saída de Neymar e a pressão para resgatar o prestígio depois da Copa do Mundo. O jogo é o primeiro eliminatório do técnico Dunga desde seu retorno.
Ontem, o treinador se mostrou incomodado com a pressão e defendeu seus comandados, fazendo referências às gerações anteriores da seleção. "Eles (os jogadores) têm uma pressão muito grande depois da Copa. Se a seleção boa não ganhou, como colocar uma pressão na ruim? Temos de olhar o futebol de um jeito diferente. Técnica e talento são bons, mas não o suficiente para escolher um time", afirmou o treinador.
A pressão é mais aguda porque a equipe tem vários desfalques em relação ao ideal como Danilo, Luiz Gustavo e o próprio Neymar e vai enfrentar um rival cascudo, invicto na Copa América e o responsável pela eliminação do Brasil em 2011, na Argentina, na disputa por pênaltis também das quartas de final.
Dunga não deu pistas sobre a escalação, mas afirmou que vai levar em consideração o aproveitamento dos jogadores e as particularidades do Paraguai. "Fizemos treinos pensando em como a seleção joga, seus pontos fortes, adversário e também sobre situações de jogo". O lateral-esquerdo Filipe Luis afirmou que o treinador evoluiu nos últimos anos. "Entramos em campo muito mais preparados, sabendo o que o adversário vai fazer. Não temos surpresa".
A seleção realizou dois treinamentos fechados - um em Santiago e outro em Concepción - por "questão de privacidade", na visão do técnico. A tendência é que ele faça apenas uma alteração em relação à equipe que venceu a Venezuela, no último domingo. Fred pode entrar no lugar de Philippe Coutinho para dar maior poder de marcação. Outra opção é improvisar David Luiz como volante, também no lugar do meia. Esta alternativa foi testada no último jogo.
Robinho e Willian foram bem ao substituir Neymar, armando as jogadas e se aproximando da área para finalizar. Por isso, serão mantidos.
Dunga fez ontem uma comparação polêmica ao relacionar as críticas que recebeu na seleção brasileira quando atuava como jogador ao período da escravidão no Brasil. "Nós éramos ruins com sorte e os outros eram bons com azar. Aquela seleção tinha uma cobrança de 40 anos sem Copa América e 24 anos sem Mundial. Até acho que sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham para mim e falam vamos bater nesse aí. E começam a me bater, sem noção e sem nada. Aqui na seleção só tem uma opção: ganhar. É um preço bom que se paga. É uma alegria e um orgulho defender o Brasil".
A afirmação, feita durante a entrevista coletiva em Concepción, surpreendeu quem estava presente na sala. Mas não houve mais esclarecimentos. Dunga respondia sobre uma comparação entre a pressão sofrida pela geração de 1994 e a atual.



