São Paulo, 08 (AE) - Em termos de recursos necessários para o desenvolvimento do esporte nacional, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), costuma dizer "que o céu é o limite". Especialmente para um País, como o Brasil, que não tem uma estrutura olímpica. Desde o ano passado, Nuzman abraçou uma causa, que reforça a cada oportunidade, como na cerimônia de entrega do Prêmio Brasil Olímpico, na terça-feira à noite. Insiste que o esporte olímpico precisa de uma verba regular para não viver de patrocínios esporádicos e ajudas governamentais vindas em véspera de competições importantes.
"Precisamos de, no mínimo, uns cinco ou seis centros de descobrimento e desenvolvimento de talentos e de um centro olímpico de excelência", ressalta Nuzman.
E nem mesmo os recursos que poderão vir atenderiam a curto prazo o setor, em um País que ainda engatinha em termos de estrutura olímpica. O COB poderá receber R$ 30 milhões anuais, caso seja aprovado o projeto de lei do senador Pedro Piva (PSD/SP), que visa a destinação de 2% da arrecadação bruta de todas as loterias do País ao esporte olímpico. "Precisa ver como esse dinheiro virá, mas sei que uma parte - não se sabe exatamente o percentual - terá de ser aplicado em crianças carentes", afirma o dirigente. Exatamente por defender o interesse do esporte olímpico - o senador disse que apenas está "corrigindo um erro histórico" - o político recebeu o prêmio de personalidade do ano, ficou para o fim na lista dos vencedores e o direito de falar na cerimônia do COB, privilégio reservado apenas aos dois melhores atletas do ano, masculino e feminino, e ao próprio presidente do COB.
Nuzman chegou a anunciar, como uma conquista, embora não signifique ainda que parte dos recursos da loteria vai parar no caixa do COB, a aprovação do projeto de lei pela Comissão de Economia do Senado. "Agora só falta a Câmara dos Deputados aprovar."
O dirigente garante que o dinheiro disponível, atualmente, não é "nem de longe" suficiente para as necessidades do esporte olímpico. Em primeiro lugar, quer ver o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp) liberar os R$ 11 milhões para a preparação e a missão brasileira que vai competir na Olimpíada de Sydney, no ano que vem. Mas para o desenvolvimento do esporte só mesmo com uma verba regular.

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