Só meio time embarca para Argentina
Agência Estado
De São Paulo
Parte do grupo de jogadores da Seleção Brasileira, que faz duas partidas amistosas contra a Argentina, embarcou ontem para Buenos Aires. De São Paulo, saíram nove atletas, além do técnico Wanderley Luxemburgo e do auxiliar-técnico Candinho. Ronaldo, Flávio Conceição e Rivaldo devem se juntar ao grupo apenas hoje em Buenos Aires. Jogadores do Corinthians, Grêmio, Flamengo e Vasco só se apresentam depois dos seus jogos no meio da semana.
Brasil e Argentina jogam sábado, em Buenos Aires, e terça-feira, dia 7, em Porto Alegre.
Wanderley Luxemburgo terá hoje 12 jogadores à disposição, sendo que um deles é Renato, terceiro goleiro do Corinthians, que foi chamado para completar o grupo enquanto o titular Dida não se apresenta. A proposta do preparador de goleiro Paulo César Gusmão é dar experiência internacional ao jovem goleiro, nome quase certo na Seleção Pré-Olímpica. Do Rio, embarcaram também Elber, Mancini e Roni.
O estilo Luxemburgo é notado na apresentação dos jogadores. Todos os que embarcaram em São Paulo, sem exceção, vieram de terno e gravata. Para os europeus, a viagem até Buenos Aires é a última escala de uma maratona que começou domingo. Marcos Assunção conta: Nós jogamos contra o Piacenza e, às 19 horas, eu, Cafu e Antônio Carlos estávamos no aeroporto. Para nosso azar, o vôo atrasou três horas e chegamos às 7h20 da manhã em São Paulo.
Os jogadores aproveitaram o curto intervalo entre um embarque e outro para rever os familiares e amigos. Deu tempo só para falar alô, dar uns beijos nos meus filhos e dizer tchau, brincou Cafu. Marcos Assunção foi até Caieiras, onde mora sua família. Além deles, apresentaram-se em São Paulo, Roberto Carlos, Silvinho, Zé Roberto, Êmerson e os palmeirenses Marcos e Alex.
O reencontro dos jogadores foi cercado de muitas gentilezas. Cafu, ao ver Alex e Marcos, foi logo perguntando o estado de Júnior Baiano e Cléber, zagueiros do Palmeiras. Já Roberto Carlos e Silvinho, que disputam a lateral-esquerda, prometeram conversar bastante nos próximos sete dias que vão ficar juntos na concetração brasileira.
Um dado curioso foi o encontro casual entre os jogadores brasileiros da Roma e os argentinos Balbo, da Fiorentina, e Ortega, do Parma, que também embarcavam para a Argentina, no aeroporto romano. Marcos Assunção garante que não foi nada constrangedor: Nós nos cumprimentamos educadamente e só.
Mas Cafu adverte que os próximos adversários podem querer vingança após a conquista brasileira da Copa América. Mas nós não podemos entrar com esse espírito. Para nós, são duas partidas difíceis. Só eles (os argentinos) podem encarar como vingança, fala Cafu.
Luxemburgo também reforça a função dos dois amistosos contra a Argentina: São dois jogos importantes, contra uma seleção tradicional. Mas são jogos preparativos para torneios futuros. Marcos Assunção lembra a rivalidade: São os maiores rivais do Brasil, sem dúvida. Sempre há grandes clássicos entre os dois países.
Quem está com um visual novo é o zagueiro Antônio Carlos e por causa de um argentino. O zagueiro da Roma descoloriu o cabelo e está loiro. Antônio Carlos conta: Eu apostei com um amigo argentino que o Brasil ganharia a Copa América. Como ele perdeu, teria de descolorir o cabelo, mas não tinha coragem. Então, eu disse que faria com ele e nós dois ficamos desse jeito, fala o zagueiro apontando aos cabelos.
Observando a tudo atentamente estava o goleiro Renato, de 20 anos, o mais jovem do grupo que foi à Argentina. Para mim, tudo que vier é lucro. Procuro aprender o máximo possível com todos os jogadores famosos que servem à Seleção. Renato disse que sua meta profissional são as Olimpíadas de Sydney. O goleiro deve-se desligar quinta-feira da Seleção, quando Dida se apresentar.





