Só falta Raí para Carpegiani montar São Paulo ideal
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domingo, 04 de abril de 1999
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 05 (AE) - O estilo Paulo César Carpegiani começa a despontar no São Paulo. Com a voz mansa, gestos calmos, o treinador se impõe diante dos atletas com um diálogo franco e sincero. Desde que chegou ao Morumbi, na segunda quinzena do ano passado, Carpegiani não discutiu com nenhum jogador, muito menos teve algum caso de indisciplina no elenco.
Ao ser apresentado como o novo técnico do Tricolor, Carpegiani recebeu um elenco com 69 atletas. Sem fazer nenhum tipo de sensacionalismo reduziu para 30 jogadores, incluindo os reforços Jorginho, Carabalí e Warley. Após cinco meses de trabalho, o treinador começa a obter os primeiros resultados, com a liderança isolada da equipe no Grupo 3 da segunda fase do Paulista, com 16 pontos ganhos e cinco vitórias consecutivas. "Os méritos são dos jogadores", diz o treinador. "Eles estão acreditando na nossa filosofia tática e organização."
Carpegiani não se abalou nem com a crise política do clube, que resultou na saída do diretor de Futebol, Pérsio Rainho, responsável pela sua contratação. O treinador montou sua equipe de trabalho com o coordenador, o ex-técnico Rubens Minelli, com quem trabalhou na sua época de jogador, no Internacional de Porto Alegre, e o preparador físico Carlinhos Neves. Depois de fazer algumas experiências na equipe durante o Torneio Rio-São Paulo, Carpegiani admite que finalmente está com o time montado. Há apenas um lugar para Raí, que deverá voltar ao futebol em poucos dias. "Mas não tenho um esquema fixo", ressalta.
"Posso variar de acordo com o adversário, por isso procuro dar para cada jogador várias funções na equipe."
O treinador disputou 18 jogos com o São Paulo, venceu 14, teve dois empates e sofreu duas derrotas, ambas pelo Rio-São Paulo: Botafogo, 2 a 1, dia 7 de fevereiro, e Vasco 3 a 1, 24 de fevereiro. Nessas partidas, o técnico utilizou 28 jogadores. Apenas Raí e Fabiano, que continuam em recuperação de antigas contusões, ainda não foram escalados por Carpegiani. Ele gosta de conversar muito sobre táticas com os jogadores. "É preciso ter um computador na cabeça para entender o que o técnico fala"
disse França, bem-humorado, autor dos gols do São Paulo na vitória por 2 a 1 sobre o União Barbarense, domingo, em Santa Bárbara dOeste.
O treinador afirma que um dos méritos do seu trabalho é não se envolver em problemas administrativos do clube. Por isso, quando Serginho não se apresentou para o treino de sábado, o treinador simplesmente entregou o caso à diretoria. "Eu só conto com os jogadores que estão à minha disposição", afirma.
A diretoria deverá decidir amanhã se irá punir ou não o lateral, que não se apresentou ao clube, depois da excursão da seleção brasileira pela ásia. Hoje, foi dia de folga para os atletas do São Paulo, que voltam a treinar amanhã pela manhã e à tarde na Barra Funda. O próximo jogo da equipe no Paulista será contra a Matonense, sábado, em Matão.


