O maior clássico do futebol paranaense, o Atletiba, que decidirá o campeão do ano 2000, tem temperos de todos os estados. Enquanto nas arquibancadas a guerra envolve curitibanos e paranaenses, no gramado não é tão fácil encontrar um craque nascido no Estado. A julgar pela possível escalação dos times, apenas um atleta paranaense em cada equipe – os zagueiros Reginaldo, no Atlético, e Flávio, no Coritiba – deverá estar entre os titulares no confronto de domingo, às 18h30, no Couto Pereira.
A base do Atlético é composta por jogadores formados no estado de São Paulo. A grande maioria do interior. Mas no elenco atleticano também aparecem craques mineiros, goianos, alagoanos, maranhenses e gaúchos.
Dos titulares, Flávio e Adriano (alagoanos) e Kléber (maranhense) são os que vieram de terras distantes. Luisinho Netto nasceu no Rio Grande do Sul; Jorginho, Leonardo, Gustavo, kelly e Lucas são naturais do interior paulista; Marcus Vinicius é mineiro; Luís Carlos nasceu em Goiás.
O zagueiro Reginaldo é da cidade de São Jorge do Ivaí. Na reserva do rubro-negro encontramos mais três jogadores do Estado: Renato, natural de Jaguapitã, goleiro emprestado pelo Corinthians; Kleberson, de Uraí, revelado pelo PSTC, de Londrina, e Silvinho, revelado pelo Guarani de Campinas.
Gustavo, natural de Rio Preto, São Paulo, não cresceu sentindo o clima dos Atletibas, mas nos últimos dois anos aprendeu o valor do clássico. ‘‘Tenho um vizinho de apartamento que me enche a paciência toda vez que o Coritiba vence. Não quero nem pensar o que poderá acontecer se não vencermos o campeonato’’.
O meia Kelly tem o mesmo problema. ‘‘Tem um cara no meu prédio que em época de Atletiba fica gritando a noite inteira no corredor e me provocando. Quando vencemos o Atletiba da 1ª fase eu não aguentei: fui até a janela e gritei Atlético’’.
Os ‘estrangeiros’ também são maioria no Coritiba. De todos os jogadores, apenas os zagueiros Flávio e Allan e os volantes Veiga e Willians nasceram no Paraná, nenhum em Curitiba.
No time titular, quatro jogadores vieram de São Paulo – Reginaldo Araújo, Carlos Roberto, Ataliba e Cléber. Mas os mineiros também estão bem representados no elenco: Gilberto é de São João Del Rey, Leonardo nasceu em Juiz de Fora e Leandro Tavares é de Belo Horizonte. Ânderson, meio-campista reserva, também veio de Minas Gerais. O time se completa com o carioca João Santos, o sul-mato-grossense Marquinhos, além dos paranaenses Flávio e Veiga.
Para os mineiros do elenco, o fato do Atlético não ter conseguido bons resultados com os clubes de Belo Horizonte este ano não vai influir no resultado das finais do Campeonato Paranaense. ‘‘O que aconteceu com o Atlético, frente aos times de Minas Gerais, foi uma coincidência que não dá para trazer para os próximos jogos’’, disse Gilberto. O mesmo pensamento tem o zagueiro Leonardo. ‘‘Nem pensei por este aspecto, acho que não serão os mineiros do nosso time que farão a diferença nestas finais’’, disse.
Já o meia Leandro Tavares procurou enaltecer as equipes de Belo Horizonte: ‘‘O Atlético perdeu para três grandes equipes, assim como é o Coritiba. Nossa meta é continuar nesta crescente para poder surpreendê-los.’’ O meia Ânderson falou que os resultados positivos dos mineiros contra o Atlético pode sim motivar o elenco. Porém, para ele, a receita para o Coritiba conquistar o bicampeonato é manter o estilo mineiro. ‘‘Fizemos um campeonato sem alarde, comendo pelas beiradas e com muita humildade’’, disse. ‘‘Se continuarmos com essas atitudes, bem no estilo mineirinho de ser, poderemos chegar ao nosso objetivo que é o título.’’

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