Os pedreiros ainda estavam com a mão na massa, cimentando rampas e escadas, mas os skatistas não estavam nem aí. No espaço que já havia sido liberado eles não se cansavam de subir, descer, cair e pular dos corrimões. A pressa da galera, conforme a reportagem da Folha pôde observar, era explicada pela ansiedade de todos em usar a nova pista, pois esperaram mais de dez anos pela primeira pista pública de skate de Londrina.
''Para nós, que sempre batalhamos e cobramos a obra da prefeitura é como ver um sonho antigo realizado. Ando há mais de 20 anos na cidade, sempre senti a falta de um espaço público aqui. Não sei o número de vezes que já fui para as cidades da região andar'', conta o colaborador da Associação de Skate Londrinense (ASKL), Murilo Toma, dono de duas lojas do segmento na cidade.
O presidente da ASKL, Igor Mori, achava ''uma brincadeira'' Londrina não ter a sua pista pública, enquanto Curitiba já possuía dez delas e cidades menores como Ibiporã, Cambé, Rolândia e Arapongas também tinham o seu espaço. ''Durante todos esses anos, os nossos atletas foram obrigados a sair para a região para treinar'', diz Mori.
Agora, depois da longa espera, a pista saiu, como parte de um amplo projeto de revitalização que a Secretaria Municipal de Obras está executando no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa (região central). A pista foi iniciada há oito meses e deve ser concluída ainda este mês. Custou R$ 161 mil e tem área total de 2,5 mil metros quadrados. O trabalho foi fruto de muitas discussões e reuniões entre representantes da ASKL, Secretaria Municipal de Cultura, Fundação de Esportes e gabinete do prefeito.
O coordenador do projeto, Júnior Tofano, da Secretaria de Cultura, disse que a intenção foi fazer um ''skate park'', com vários obstáculos que atendessem às necessidades de praticantes de todas as idades e de diferentes níveis técnicos. ''Tudo que foi feito ali é para a prática de skate, os bancos, rampas, corrimões, barrancos, escadas, as mini-ramps, tudo ali foi interligado para incentivar a molecada inventar novas manobras'', comentou.
Tofano, que também é skatista há 20 anos, concorda que a pista ''é como um sonho''. ''Era uma reivindicação antiga que enfim está sendo atendida. E com a obra se está unindo o útil ao agradável, pois o prefeito cumpre uma promessa de campanha e ao mesmo tempo contempla uma área da cidade que estava necessitando de investimento, que é o CSU'', disse o coordenador.
A revitalização do espaço inclui também a reforma de três campos de futebol suíço e um oficial, a construção de uma pista de atletismo, de um anfiteatro e do orquidário municipal, além da revitalização de duas quadras de esporte. O CSU será ainda a nova sede da Escola Municipal de Circo. ''O objetivo do município é valorizar e movimentar o espaço, que estava ocioso, com uma série de atividades sendo realizadas lá ao mesmo tempo'', afirmou Tofano.
A segurança era uma das preocupações da ASKL quando se definiu que a pista seria mesmo no Centro Social Urbano e não no Zerão, o local solicitado previamente pelos skatistas. ''Sempre pedimos à prefeitura uma pista no Zerão, que é o local mais central e também o mais utilizado pelos praticantes. Mas como foi feita aqui no CSU espero que funcione e que haja ampla utilização pelo pessoal ligado ao skate, às bikes e aos patins. Quanto mais gente no local, mais segurança para nós'', concluiu Toma, da ASKL.

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