Manaus - Quando entrar em campo hoje em Manaus, às 22 horas (de Brasília), a seleção brasileira viverá uma situação inédita em partidas válidas por fases classificatórias ou finais de Copa do Mundo. Os 11 jogadores que devem enfrentar o Equador pela segunda rodada das Eliminatórias atuam no exterior.
Nunca antes, em quase 150 jogos e 73 anos de trajetória no Mundial, o Brasil iniciou uma partida com uma formação 100% ''estrangeira'' apesar das evidências, Carlos Alberto Parreira deixava em segredo a escalação até as 19 horas.
Mesmo nas últimas duas décadas, quando se intensificou a debandada para o exterior, a seleção mantinha um núcleo local no time principal. Na conquista do pentacampeonato, no ano passado, três titulares atuavam no Brasil: o goleiro Marcos e os volantes Gilberto Silva e Kléberson. O primeiro hoje é reserva, e os outros dois rumaram para a Inglaterra, Gilberto, para o Arsenal, e Kléberson, para o Manchester United.
O time 100% ''estrangeiro'' acontece na mesma temporada em que o Brasileiro experimenta um êxodo de atletas para o exterior. Até alguns reservas estão cotados para seguir o caminho. O novato Diego, por exemplo, já recebeu proposta do Tottenham.
Em Manaus, a imprensa espanhola especula que outro santista, o volante Renato, estaria na lista de reforços das equipes do país para o final deste ano, quando o mercado local será reaberto.
O fenômeno mostra também que o jogador brasileiro virou sinônimo de excelência em todas as posições, do goleiro ao atacante. Titular do Milan, Dida diz que ''o pensamento na Europa hoje é diferente em relação ao goleiro brasileiro''.
Os quatro zagueiros convocados também estão na Europa. Lúcio, o mais famoso deles, foi assediado por vários times, mas o Bayer Leverkusen preferiu retê-lo. A seleção, aliás, enfrenta o Equador com jogadores que atuam não apenas em clubes europeus, mas na nata do esporte no continente. Sete dos titulares defendem equipes que já ganharam a Copa dos Campeões, o mais rico e prestigiado campeonato de clubes do mundo.
Para Parreira, que passou mais da metade de sua carreira como treinador fora do Brasil, o jogador que atua na Europa não tem necessariamente mais disciplina tática do que os atletas locais. ''Em qualquer compêndio sobre futebol, de qualquer parte do mundo, o importante é saber o equilíbrio entre defender e atacar. Isso não importa aonde'', afirma o técnico, que, com o cenário atual, terá poucas oportunidades para treinar e entrosar sua equipe.

Em Manaus

Brasil

Dida; Cafu, Roque Júnior, Lúcio e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Emerson, Ronaldinho Gaúcho e Zé Roberto; Rivaldo e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira

Equador

Cevallos; De la Cruz, Espinoza, Hurtado e Reasco; Ayoví, Obregón, Méndez e Chalá; Edwin Tenorio e Carlos Tenorio. Técnico: Hernán Darío Gómez

Árbitro: Luis Vladimir Solórzano (VEN)
Estádio: Vivaldão
Horário: 22 horas

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