Santos - O Santos inicia 2015 com uma divida reconhecida de R$ 120 milhões e com previsão de buscar receitas de R$ 47 milhões em venda de jogadores para terminar a temporada sem deficit. Os números foram revelados pelo presidente santista Modesto Roma Júnior, durante entrevista coletiva nesta terça-feira, na Vila Belmiro, em Santos.
O cartola definiu a situação como "séria" e uma das "piores crises da história do clube". O mandatário explicou que o Santos teve deficit de R$ 60 milhões em 2014. Como antecipou R$ 60 milhões em receitas, ficou com deficit total de R$ 120 milhões para 2015.
Roma Júnior também disse que outra dificuldade é que o orçamento deste ano prevê que o clube precisa somar R$ 47 milhões em venda de jogadores para não ter prejuízo. Além disso, previa o recebimento de R$ 6 milhões do Barcelona como bonificação caso Neymar fosse indicado entre os três candidatos ao prêmio de melhor do mundo da Fifa de 2014 - algo que não ocorreu. O Santos ainda deve dois meses de salários atrasados e o décimo-terceiro, além dos direitos de imagem de alguns jogadores.
"A situação do clube é séria. Estamos espremidos pela falta de dinheiro, muitas contas para pagar. Minha preocupação é com os 90 atletas e 300 funcionários do Santos. A situação é muito difícil e vamos investigar tudo para ter detalhes. Mas vamos superar essa crise", disse Roma Júnior.
O cartola evitou criticar o antecessor, Odílio Rodrigues, mas falou da necessidade de gestão responsável. "Não existe mais espaço para a farra que foi até hoje. Temos de ter responsabilidade porque não mexemos com nosso dinheiro. Tudo é do clube. Vamos ter uma gestão responsável", disse o cartola.
Roma Júnior prometeu divulgar para a imprensa até o final deste mês um relatório com a situação financeira do clube, assim que concluir auditória.

DIREITOS ECONÔMICOS
O atacante Gabriel, principal revelação do Santos após a dupla Ganso e Neymar, teve 20% dos seus direitos econômicos vendidos ao fundo Doyen Sports, revelou Modesto Roma Júnior. Agora, o Santos tem apenas 40% dos direitos daquela que é a maior aposta do elenco atual - a multa rescisória está estipulada em 50 milhões de euros. O restante dos direitos econômicos do jogador está dividido entre Gabriel (40%) e Doyen (20%). Os valores recebidos pelo clube, no entanto, não foram revelados.
Além de Gabriel, outros dois jogadores tiveram parte de seus direitos repassados para o fundo Doyen: o lateral direito Daniel Guedes (25%) e o atacante Geuvânio (35%). Agora, o Santos ficou com 25% dos direitos econômicos de Daniel Guedes e 35% de Geuvânio.
Roma Júnior admitiu que a negociação foi feita pelo antecessor, Odílio Rodrigues, em dezembro, nos últimos dias de mandato. O atual mandatário também disse que iniciou uma investigação para avaliar quanto o Santos recebeu e qual foi o destino dos valores.

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