Curitiba - Mesmo sem considerar as demandas para a Copa e as Olimpíadas em 2016, os aeroportos já passam por uma situação de estrangulamento. Segundo o estudo, 14 dos 20 maiores terminais de passageiros do País funcionam, hoje, acima de sua capacidade. A situação é resultado de uma fórmula explosiva: o crescimento no número de passageiros sem o respectivo aumento da capacidade operacional dos aeroportos.
De 2003 a 2010, os aeroportos receberam R$ 8,8 bilhões em investimentos públicos, uma média anual de R$ 1,1 bilhão. Nesse período, o número de passageiros aumentou 117%, passando de 71 milhões para 154 milhões, o equivalente a um crescimento médio anual de 10,2%. Em 2010, o aumento chegou a 20,4% em relação a 2009. Entre 2003 e 2009, diz o estudo, as aeronaves passaram de 6.026 para 7.228, ou seja, tiveram um aumento de 20%, enquanto o número de passageiros cresceu 80% e o número de viagens 30%.
Levando em conta dados da Infraero sobre o número de passageiros e a capacidade de cada aeroporto, 14 dos 20 terminais revelaram, em 2010, uma média de 184% de ocupação, o que indica uma situação crítica. A taxa é bem acima do limite de eficiência operacional de um aeroporto estabelcido em 80%.
Os aeroportos de Curitiba, Belém (PA) e Santos Dumont (RJ), com taxas entre 80% e 100% foram considerados em situação preocupante. E apenas três foram classificados em situação adequada, com menos de 80% de ocupação: Galeão (RJ), Salvador (BA) e Recife (PE).
Para piorar a situação, o estudo mostra que dez dos 13 aeroportos das cidades-sede dos jogos da Copa vão continuar funcionando acima de sua capacidade mesmo após receber as obras previstas, entre eles, Guarulhos (SP), que recebe grande parte dos voos no País. Curitiba, com movimento previsto de 8,4 milhões de passageiros/ano e capacidade prevista de 8 milhões em 2014, também estaria com ocupação de 105,6%.
Dos 13 aeroportos, só Manaus (AM), Campinas (SP) e Galeão (RJ) estariam em situação mais confortável, operando abaixo de 80% da sua capacidade. ''A análise do plano de investimentos sugere que as obras foram planejadas com subdimensionamento da demanda futura'', conclui o estudo. O governo federal vai investir R$ 5,6 bilhões nos 13 aeroportos.(M.G.)

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