Situação de Leão continua indefinida
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de junho de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 14 (AE) - Aproveitando o dia chuvoso em Santos, o técnico Émerson Leão resolveu dispensar os jogadores, marcando treino para amanhã à tarde. Depois, foi conversar com o vice-presidente José Paulo Fernandes, o único dirigente que estava hoje no CT Rei Pelé, mantendo a dúvida no ar: até quando dirigirá o Santos?
Hoje à tarde, as questões eram as mesmas, principalmente quanto ao valor a ser desembolsado no caso de o Santos demitir o técnico. Além dos sete meses de salários, da multa de R$ 200 mil
há ainda prêmios e salários atrasados, que teriam de ser pagos na rescisão. A esperança era de um acordo com o treinador para reduzir e parcelar o pagamento.
Outro problema para os dirigentes é que os técnicos que interessariam ao clube estão empregados e uma contratação só será possível nos próximos dias, quando acabar os campeonatos regionais. Nelsinho Batista, Carlos Alberto Silva, Hélio dos Anjos e Lula Pereira continuavam sendo os nomes mais comentados, mas a lista cresce a cada dia.
Para Leão, entretanto, o problema é mais simples: repetiu hoje que vai cumprir seu contrato até o fim. "Quando cheguei, o vice me falou que o amistoso ainda não estava confirmado e que era para ir seguindo a rotina de trabalho", disse. Como estava chovendo muito, resolveu dispensar os jogadores, programando o início dos treinos para às 16 horas de amanhã. Revelou que não sabia de qualquer reunião programada para discutir a campanha do time, a situação do elenco e a sua própria permanência.
"Plantar notícia é fácil, ainda mais num país em que "grampeiam" até o presidente da República", disse Leão. Nem quis saber do comentário dos jornalistas de que quatro dirigentes eram contra sua permanência e apenas um a favor. "Meu problema não é eleição, porque tenho contrato", comentou, referindo-se ao processo eleitoral que começa a tomar forma na Vila Belmiro. Duvidou de uma das hipóteses levantadas pela diretoria, de mantê-lo sob contrato até o final do ano, pagando mensalmente seus salários. Isso impediria de aceitar convite de outros clubes e ele comentou: "isso é cerceamento da liberdade de trabalho".
Ele manifestou também a intenção de "seguir com a rotina". Amanhã, ele irá observar Marcos Assunção e Adiel, que estão retornando de contusão e deverão ir para o campo. Leão comentou também que Paulo Rink não é mais jogador do Santos: "Ele veio para cumprir uma missão, já cumpriu e foi dispensado, segundo o José Paulo Fernandes me informou".
O volante Élson, que alugou seu passe ao Santos, deverá ser apresentado apenas amanhã e não hoje, como estava programado. "Com as negociações com nossos jogadores de meio-de-campo, achei melhor me prevenir", concluiu o treinador. Enquanto Leão conversava com José Paulo, um grupo de 20 torcedores levantou novamente a faixa que já haviam mostrado na sexta-feira passada com a inscrição: "fora ditador, queremos treinador". A mesma faixa, os mesmos manifestantes e a situação do Santos não havia mudado em nada.


