A natação de Londrina, que já revelou nomes como o do bicampeão pan-americano Rogério Romero (único nadador brasileiro presente em cinco Olimpíadas) e do campeão sul-americano nos 200m medley, Diogo Yabe, hoje se encontra numa situação que beira a tristeza. O cenário é de absoluto ostracismo.
A modalidade não vem recebendo o devido incentivo do poder público e nem dos clubes, que há aproximadamente cinco anos decidiram se voltar ao público interno - seus associados - e não investem mais em equipes de competição, como faziam. Prova disso é que dos que possuíam piscinas aquecidas - para que os nadadores treinem o ano inteiro - somente a Arel e o Country mantém hoje o equipamento. ''O Grêmio já teve duas piscinas aquecidas e Canadá, AFML e AABB também tinham, mas como estão em dificuldades, não estão mais aquecendo'', relatou o técnico da Arel e da Wet, Waldemar Blota Silva, o Dema. A AABB possui uma piscina térmica, mas de apenas 15 metros.
O resultado tem sido a ausência de atletas de ponta da cidade nas competições nacionais. Na verdade, ainda há talentos daqui sendo destaques no País, mas estão competindo por outras cidades. Há hoje quatro que treinam na Arel, sendo que três decidiram se federar pelo Clube Curitibano: Felipe Kasuya, 3º do Brasileiro 2007 nos 50m livre; Eloise Almeida, que está se mantendo entre as oito melhores do Brasil nos 400m e nos 800m livre, e Vinícius Carvalho. Já Leonardo Pires, 3º do Brasil nos 200m livre, acertou contrato com a equipe Unisanta, de Santos.
Os nadadores se viram obrigados a isso devido à falta de equipe de competição de alto rendimento na cidade. Pelo mesmo motivo, não houve entidade interessada em receber a verba da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) para representar o município nos Jogos da Juventude do Paraná (Jojups) de 2008. No primeiro e no segundo editais abertos pela FEL, nenhuma entidade se inscreveu.
''A ONG Rede Acesso, que se habilitou no ano passado e recebeu a verba municipal, apoiava quatro pólos de natação na cidade - Arel, Country, Grêmio e AFML. Mas como houve problemas entre a entidade e a Fundação, este ano ela não apresentou mais projeto e ficamos como estamos, esquecidos'', lamentou Dema, que treina esses atletas de destaque.
O técnico considera que sem os quatro nadadores - já federados por outras cidades - Londrina terá um ''desfalque grande'' nos próximos Jojups, em Umuarama. No ano passado, segundo ele, a equipe local obteve o 2º lugar geral no masculino e o 5º no feminino. ''Eles (nadadores) só saíram de Londrina por causa dessa demora e indefinição sobre uma entidade para pegar o projeto da FEL'', afirmou.
Dema discorda da política da FEL, de apoiar apenas a categoria Sub-17, com vistas aos Jogos da Juventude. ''É complicado, porque não podemos investir o dinheiro do projeto público nas categorias de base, por exemplo (crianças abaixo de 12 anos), e nem nos atletas de grande potencial que extrapolam os 17 anos. Com isso, passados os Jojups, ou eles param ou vão embora'', reclamou.

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