Sinto falta do Brasil, desabafa Jádson
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sábado, 25 de junho de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Não foi o frio, nem as diferenças culturais, muito menos a culinária sem tantos toques de temperos que fizeram despontar no meia Jádson a vontade de voltar a jogar no Brasil, após seis meses vestindo a camisa do Shaktar Donetsk, da Ucrânia. O que está deixando o londrinense desanimado é o futebol mesmo. ''O nível é muito baixo lá (na Ucrânia)'', reclamou Jádson. ''Você começa a lembrar de como é aqui e dá vontade de voltar. Toda hora penso em voltar. Sinto falta do Brasil''.
O retorno ao futebol brasileiro, no entanto, esbarra na parte financeira. Jádson teve seus direitos federativos vendidos pelo Atlético Paranaense para o clube ucraniano em janeiro deste ano por 5 milhões de euros (cerca de R$ 17,5 milhões na época). Tem contrato de cinco anos com o Shaktar, recebe os salários em euro e dificilmente um clube brasileiro cobriria a proposta. ''Se tivesse uma proposta boa como a daqui, eu voltaria'', disse o meia, de fala mansa e tímida.
A vida financeira de Jádson sofreu uma mudança drástica neste ano. A casa em Londrina já é bem diferente da anterior, que ficava no Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte). Os veículos que lotam a garagem também. ''Minha vida financeira mudou muito. Hoje, sou feliz porque posso dar tudo o que a minha mãe, o meu pai e minha mulher me pedem'', revelou o meia, um tanto emocionado e ainda ansioso para seu casamento, que aconteceu ontem à noite.
E foi essa mudança na vida familiar que o convenceu a ir para o Centro-Leste europeu. ''Na hora (em que foi informado da proposta do Shaktar), não gostei muito, não. Sonhava em jogar em Portugal, na Espanha, na Itália. Mas meu sonho era ajudar a minha família e isso me convenceu. Quem tiver a oportunidade, tem que ir mesmo'', contou. ''No Atlético era o meu primeiro contrato, então, não ganhava muito''.
Quase que o sonho de jogar com os portugueses deu certo. Pouco antes da transferência para a Ucrânia, os jornais de Portugal especulavam sobre a ida do meia para o Benfica, que acabou não se confirmando por falta de um acerto financeiro entre os clubes. ''Ouvi falar que o Corinthians também tinha interesse'', comentou.
Vitrine Depois de fazer um grande Campeonato Brasileiro pelo Atlético-PR no ano passado, quando o Furacão deixou escapar o título na penúltima rodada, Jádson não conseguiu repetir o desempenho no Shaktar. Ainda tenta ganhar de vez a confiança do treinador e se firmar na equipe titular. ''Quando cheguei lá, sempre entrava no segundo tempo. Depois que passou o frio e entrou o calor, virei titular, mas às vezes ainda saio'', disse o jogador.
Mesmo não tendo as mesmas atuações de 2004, Jádson não tem muito o que reclamar. Foi vice-campeão da Copa da Ucrânia e conquistou o Campeonato Ucraniano, garantindo vaga na eliminatória da Liga dos Campeões da Europa. Ele não quer desperdiçar a chance de ''aparecer'', na principal competição européia. ''Posso despertar o interesse de algum clube de maior expressão e voltar a chamar a atenção do (Carlos Alberto) Parreira (técnico da seleção brasileira)'', projetou.
Após o fim do Brasileirão de 2004, Parreira elogiou o meia e até admitiu dar uma chance ao jogador na seleção. Mas com a ida para o Shaktar, Jádson ficou escondido. ''Pensei muito nisso quando fui pra lá (Ucrânia). Fiquei triste, mas tenho que jogar bem e aparecer novamente'', confessou.


