Síndrome do pênalti preocupa clubes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Edmundo Inagaki Ed Carlos Rocha 
Ultimamente, pênalti a favor de Atlético ou Coritiba não é mais sinônimo de gol. Sobre a penalidade máxima paira um equívoco: considerá-la mais uma questão de sorte do que competência.
O medo diante do pênalti não é mais do goleiro e sim do chutador. Anteontem, no jogo contra a Portuguesa de Desportos (SP), foi a vez do centroavante coxa-branca Brandão experimentar a desconfortável sensação de desperdiçar uma cobrança - o Coritiba perdia por 1 a 0 (gol de Leandro, de pênalti).
Não posso dizer que é fácil passar por uma situação dessas. Pelo contrário, é muito difícil errar um pênalti, ainda mais quando seu time está em desvantagem. Estou consciente do erro cometido, mas todos os jogadores estão sujeitos a isso.
Brandão diz que pegou mal na bola: Bati com o tornozelo e o chute saiu daquele jeito, sem força nem direção. Antes, costumava bater colocado, no canto baixo. Mas agora, procuro bater forte na bola, à direita e acima do goleiro.
Na opinião do atacante, o ideal é ter tranquilidade na hora da cobrança. Procuro olhar para o goleiro e não mudar de idéia no momento do chute. Se você ficar em dúvida de onde chutar a bola, a coisa complica.
Depois dos treinamentos diários, Brandão costuma ensaiar várias cobranças de pênaltis, conseguindo um bom índice de aproveitamento. De uns 10 chutes, erro só uma ou duas tentativas. Apesar do elenco ter outros cobradores, como Yan, Sinval, Macedo, Sandoval e Gélson Baresi, nos jogos, o técnico Valdyr Espinosa é quem indica.
No Atletiba decisivo do último Campeonato Paranaense, o goleiro Régis também acabou desperdiçando um pênalti. Como Sinval - o cobrador oficial do time na época - não estava em campo, a cobrança deveria ser feita por Brandão ou Macedo. Mas Régis, líder e capitão, teria se prontificado a cobrar.
Para o atacante Tuta, que perdeu o pênalti na derrota (2 a 0) para o Sport, no último domingo, quando ainda estava 0 x 0, chutar uma penalidade para fora não chega a ser traumático. No caso desse pênalti particularmente, o jogador disse que até acabou ficando motivado. No início do Paranaense deste ano perdi um pênalti contra o Londrina da mesma forma como o do último domingo, chutando para fora, no canto esquerdo. Acabamos campeão e fui o artilheiro. Tomara que isso se repita agora.


