Simulações provocam mais faltas no Brasil
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Paulo Favero<br> Agência Estado 
São Paulo - De quem é a culpa do excesso de faltas no futebol brasileiro: dos árbitros que têm um estilo próprio de apitar ou do jeito de jogar dos atletas? Para Ronaldão, ex-zagueiro do São Paulo e da seleção brasileira, o problema está nos homens do apito ''A arbitragem brasileira marca muita faltinha boba e isso acaba atrapalhando o espetáculo Os juízes marcam faltas que não existem e em momento delicados acabam atrapalhando''
Mas ele também lembra que o atleta tem sua parcela de culpa na situação ''O jogador brasileiro precisa ter consciência de que às vezes induz o juiz ao erro Isso na Europa é considerado antijogo Acredito que seja mais uma questão de mudança de hábito e de cultura Não pode ter tanta simulação''
É muito comum no futebol europeu o jogador ficar marcado por lances de simulação São inúmeros casos de atletas que tentam cavar uma falta e, depois que o juiz não marca nada, passam a ser vaiados pela torcida toda vez que pega na bola Em casos mais extremos, as federações aplicam multa ou suspensões para quem tenta iludir a arbitragem
Esse debate sobre os ''atores'' do futebol já vem ocorrendo com mais intensidade Irritado com as simulações, o presidente corintiano Andrés Sanchez pediu ao presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo del Nero, que estude um tipo de punição para isso A sua proposta é que quando um jogador cair e precisar ser socorrido pela maca tenha de ficar cinco minutos fora do campo Del Nero já avisou que está estudando a possibilidade de utilizar a nova regra no Campeonato Paulista de 2012 e pretende encaminhar à Fifa o pedido
Recentemente, o holandês Seedorf também se irritou com os jogadores que simulam faltas Ele quer regras que punam os trapaceiros ''Acho que ajudaria utilizar regras de rúgbi Quando alguém está deitado no chão, deixe o médico entrar, remova-o e o jogo continua Isso ajudará porque o time ficará com dez jogadores e ninguém quer ter essa desvantagem''
Para Leonardo Gaciba, ex-árbitro e hoje comentarista da rádio Gaúcha, o problema não está no jeito de apitar do brasileiro, mas nos jogadores ''A diferença não é o árbitro, é o jogo O próprio brasileiro, quando atua na Europa, é um outro jogador O bom árbitro é aquele que sabe se adaptar ao local onde está apitando Ele tem de ser um camaleão''
Ele explica que o brasileiro valoriza o toque de outra maneira ''Ele opta por cair em vez de prosseguir Se pegarmos o amistoso entre Brasil e Argentina, o Messi tomou uma porrada do Lucas, mas prosseguiu e fez o gol No Brasil o jogador teria caído'' Gaciba apenas lamenta que no País a simulação ainda não seja coibida ''Aqui, um jogador que ilude o árbitro é considerado herói Na Europa ele é vilão O cara ludibria a regra do jogo, consegue enganar o árbitro e depois falam que é o juiz que está errado''


