Simples e sem frescura, Beltrão é a surpresa
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quinta-feira, 13 de março de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
''Simplicidade, fazer o feijão-com-arroz e sem frescura''. Essa é a receita dada por Luís Heitor Linhares para fazer um time dar orgulho à torcida, honrar a camisa e o nome de uma cidade, e conseguir se superar diante de oponentes mais estruturados e mais afamados. Com essa receita, o presidente fez do pequenino Engenheiro Beltrão um dos oito melhores times do Paraná em 2008. Mais do que isso, deixou para trás o Londrina e sua ex-pesada camisa. Deixou para trás também cidades muito maiores do que Beltrão, como Cascavel e Paranaguá, e conseguiu fazer o que nenhum clube havia conseguido no ano: vencer o até então imbatível Atlético.
A cidade de Engenheiro Beltrão tem pouco mais de 13 mil eufóricos habitantes, que saboreiam a fama instantânea causada pelo time alvinegro. ''Deve subir para 15 mil habitantes agora, com a chegada da safra da cana. É mais gente para ir ao estádio'', brinca o sempre bem-humorado Linhares, presidente do clube, que completa em 2008 cinco anos de profissionalismo.
Dono de transportadora, ele banca quase sozinho as despesas mensais do clube. Por isso, o investimento não é alto e a superação é uma das principais responsáveis pela boa campanha do time. A folha de pagamentos não ultrapassa os R$ 22 mil mensais, incluindo comissão técnica e as cozinheiras. A média salarial é de R$ 600. Cinco jogadores - Thiaguinho, Eydson, Carlinhos, Muriel e Índio - têm os salários pagos pela Adap Galo, detentora de seus direitos federativos.
E a folha salarial não vai aumentar com a contratação de reforços. Nem mesmo a vitória sobre o Atlético, na quarta-feira, mudou o pensamento do cartola. ''O próprio grupo pediu para eu não trazer reforços. Eles vêm para tomar o lugar de alguém que está jogando e pode 'arrebentar' com o grupo'', justificou Linhares, lembrando que o ala Cleiton e o atacante Kanu, que estavam fazendo exames médicos na China, para onde vão se transferir após o Paranaense, serão reintegrados.
Além do Atlético, o Beltrão foi o único time que se manteve durante as 15 rodadas da primeira fase entre os oito melhores. A campanha fez a equipe virar uma febre na cidade. Apenas nos últimos dez dias, segundo dados do clube, foram vendidas 350 camisas.
O próximo jogo em casa será no domingo de Páscoa, contra o Paraná, e Linhares espera vender pelo menos mais 400 camisas e ver os 2,2 mil lugares disponíveis no acanhado Estádio João Cavalcanti de Menezes preenchidos. Cada camisa custa R$ 35 e dá um ingresso para o jogo. ''Não queremos ganhar dinheiro com a venda e sim vestir nossos torcedores e fazê-los criar uma raiz com o clube'', apontou Linhares.


