Simon demonstra personsalidade na decisão
São Paulo, 23 (AE) - Os ânimos exaltados dos jogadores, típicos de uma decisão de campeonato, foram controlados com firmeza pelo árbitro gaúcho Carlos Eugênio Simon, que mostrou personalidade na final do Brasileiro, entre Corinthians e Atlético-MG. O juiz foi severo quando necessário e soube distribuir cartões na hora certa. Mesmo nos momentos mais "quentes" da partida, nos quais os atletas pareciam perder a cabeça, Simon não permitiu que o futebol fosse trocado pela violência.
Com o campo molhado, numa noite chuvosa em São Paulo, as jogadas mais bruscas tornaram-se frequentes. Discussões entre jogadores, por consequência, passaram a ser comuns. Rincón desentendeu-se com Gallo, ambos capitães de sua equipe. Galván trocou insultos com Marcelinho. Todos, contudo, foram punidos com o cartão amarelo. Só no primeiro tempo, foram seis advertências.
No segundo, Belletti foi expulso. Simon, perfeito no aspecto disciplinar, decidiu marcar muitas faltas no início da partida, numa tentativa de inibir o antijogo. Ele provou, como havia dito na véspera da decisão, que é possível ser disciplinador sem abusar da autoridade e sem "colocar o dedo em riste na cara do jogador".
Aos 34 anos, o árbitro gaúcho mostrou estar também em plena forma física. Apesar de o gramado estar pesado, por causa da chuva, Simon correu bastante, sempre em cima dos lances. Acompanhando as jogadas de perto, atento, quase não cometeu erros. Aos 32 minutos do segundo tempo, não marcou um pênalti reclamado por Edílson, num dos lances mais difíceis da final. Agiu de forma correta, com convicção, e ainda advertiu o meia corintiano com o cartão amarelo.
Às vezes, porém, de tão perto que estava da bola, chegou a atrapalhar, involuntariamente, alguns atletas, por causa do mau posicionamento em campo. Esse deslize, no entanto, não chegou a comprometer o seu trabalho.
Simon foi discreto, a ponto de pouco aparecer em close nas imagens da televisão. Não fez questão de ser mais importante do que os 22 atletas. Sua relação com os protagonistas da decisão, por sinal, foi tranquila. Apesar das reclamações, corriqueiras em um jogo de futebol, Simon procurou não polemizar com ninguém. Conversou com os jogadores no tom certo, sem ignorá-los, mas mostrando autoridade.
Essa foi a segunda decisão de Campeonato Brasileiro que Simon apitou seguidamente. No ano passado, comandou a final entre Corinthians e Cruzeiro, também com muitos elogios. Neste ano, foi eleito, em maio, o melhor juiz do Sul-Americano Sub-20, em Mar del Plata.





