Buenos Aires, 01 (AE) - Para Silvinho, lateral do Arsenal e da seleção brasileira, andar pelo lado esquerdo só dentro de campo. Nas ruas de Londres, cidade na qual chegou há dois meses, o trânsito está o deixando maluco. "No Brasil, estava acostumado a dirigir meu carro pela direita e agora, na Inglaterra, é tudo ao contrário", contou o jogador. Segundo Silvinho, trafegar pela cidade passou a ser um perigoso jogo. "Fazer curvas, então, é assustador", explicou. Outro problema é com o próprio carro, cujo banco do motorista fica do lado direito. As marchas, desta forma, precisam ser trocadas com a mão esquerda.
"É muito estranho", disse Silvinho. "Não me dei bem nem com os veículos hidramáticos." As ruas parecem ter ficado mais estreitas e o carros, maiores. Por enquanto, o jogador percorre Londres de taxi ou no ônibus da delegação do Arsenal. Como a equipe passou a se preparar para os treinamentos no hotel em que Silvinho está hospedado e seguir para o campo num veículo fretado, suas preocupações diminuíram. "Ainda bem, senão estaria perdido."
Silvinho garante que está se adaptando com relativa facilidade à nova cidade. Não sofreu com o frio, fez novos amigos e, há duas semanas, começou um curso particular de inglês. "Não é fácil, mas tenho de me esforçar, pois ficarei cinco anos na Inglaterra", destacou o lateral. Silvinho ainda está à procura de uma casa e de um carro para comprar, projeto que o assusta. "Se não fosse por necessidade, preferia ficar longe da direção", destacou.
Antes de embarcar para Buenos Aires, onde está com a seleção brasileira, Silvinho passou na casa da família, em São Paulo, e matou um pouco a saudade de um carro tipicamente nacional. "Peguei o carro do meu pai e dei umas voltas, antes de ir ao aeroporto." Em campo, por outro lado, a esquerda é a sua especialidade. "A lateral no Brasil é a posição mais bem servida de atletas, por isso, faço meu trabalho e não me iludo com o fututo", confessou. A convocação para os amistosos diante da Argentina o deixou surpreso. Foi a segunda vez que o técnico Wanderley Luxemburgo, seu antigo chefe no Corinthians, lembrou de seu nome. "Não sou daqueles jogadores que ficam em frente da televisão esperando ver o nome na lista da seleção, mas admito que fiquei muito feliz por ter sido chamado novamente."

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