Rio - A delegação brasileira de futebol feminino deixou o Maracanã e os Jogos Pan-Americanos do Rio com uma conquista e uma promessa na bagagem. Conquistou o ouro, repetindo o feito de Santo Domingo em 2003. E, ao time comandado pela jogadora Marta, imortalizada no hall da fama do estádio após a premiação, a promessa de investimentos a curto prazo. Investimento no futebol de saias quer dizer criação de uma Liga Nacional, ajuda a clubes para manter equipes permanentes e realização de campeonatos regulares. Quem prometeu tudo isso numa tacada só foi o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, em uma de suas visitas ao elenco na Vila do Pan. Ele esteve reunido algumas vezes com a delegação feminina e sua comissão técnica.
É promessa de político já no cargo. Dá para confiar? As atletas do Brasil acham que sim. As meninas que desejam praticar a modalidade também ficaram confiantes. A campanha do futebol feminino nesses Jogos ainda pode ajudar o ministro nessa possível empreitada.
Após a eliminação precoce dos garotos do Sub-17, o país do futebol teve de se render ao time feminino, sua única esperança de conquista na modalidade. E elas não decepcionaram. Foram 33 gols marcados em seis partidas. E nenhum sofrido. Teve até um 10 a 0 sobre o Equador na fase classificatória. Na final, ontem, no Maracanã, outra goleada: 5 a 0 contra os Estados Unidos, para um público de quase 70 mil pessoas.
''Quando ele (o ministro) esteve com a gente, nos falou de sua vontade de mudar esse cenário de abandono em que se encontra o futebol das mulheres. Ele prometeu ajudar e disse que estará diretamente envolvido nisso'', comentou Marta.
Não é de hoje que o futebol feminino sofre no País. A maioria das jogadoras atua fora do Brasil. É o caso da própria Marta, que joga na Suécia. Não pensa em voltar a não ser que as condições mudem da água para o vinho. As poucas meninas que encontram um time para jogar por aqui sofrem preconceito, ganham mal e convivem com a demissão da noite para o dia sem aviso prévio. Jogam hoje com medo de ver amanhã seus clubes fecharem as portas.
O técnico Jorge Barcellos entrega o assunto para os dirigentes. ''Nós, profissionais de campo, comissão técnica e atletas, estamos fazendo a nossa parte. Não cabe a nós tomarmos essa iniciativa. Isso é coisa para dirigentes''.
A seleção brasileira disputará agora o Mundial, em setembro, na China. Ainda não está garantida para os Jogos olímpicos de Pequim, no ano que vem. Na última Olimpíada, o time ficou com a prata após perder para os Estados Unidos.

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